ENOCK CAVALCANTI – Bolsonarista Abilio expõe oportunismo do ex-bolsonarista Fávaro no seu ataque ao ministro Xandão do STF

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ENOCK CAVALCANTI – Bolsonarista Abilio expõe oportunismo do ex-bolsonarista Fávaro no seu ataque ao ministro Xandão do STF

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Carlos Fávaro, produtor rural, senador da República, homem dos barões da soja da familia Maggi, na minha opinião,é um dos mais repelentes oportunistas que já surgiram na política de Mato Grosso. Digo isso porque ele foi um importante instrumento, usado pelo Agro, para a domesticação da esquerda, e até mesmo do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, no conflitado território mato-grossense. Sumiram de cena os arroubos esquerdistas e até mesmo as convocações para que o povo venha para as ruas, defender seus direitos e denunciar seus adversários. As disputas políticas em Mato Grosso são disputas de oratória. Até mesmo o desgastado ex-governador José Pedro Taques agora reaparece (e de mãos dadas com Carlos Fávaro!) tentando se firmar como um defensor dos interesses populares, notadamente dos servidores públicos que ele tanto maltratou durante a sua gestão. O povo sumiu de cena, mas há muita gente querendo falar pelo povo!

Fávaro começou se cevando com os votos dos bolsonaristas pra depois virar "lulista desde criancinha". Fávaro virou lulista quando os patrões do Agro perceberam que, através deste Cavalo de Tróia, poderia dominar corações e mentes dos patriotários da esquerda, firmando assim os seus interesses. E o Agro passou a dominar os discursos, seja pela direita, com Mauro Mendes, Pivetta, Wellington Fagundes, José Medeiros, Jayme Campos e outros que tais, seja pela esquerda, com o PT submetido ao fascínio de Fávaro.

Agora, nesta eleição de 2026, que a batata de Fávaro está assando, e seu retorno ao Senado está ameaçado por uma forte arremetida da direita, ele volta a acenar para o eleitorado bolsonarista, rompendo com a lógica petista de defender Xandão, para atacar o ministro do Vorcaro no STF.

Como gambá cheira gambá, coube ao prefeito Abilio Brunini, um bolsonarista descontrolado que comanda a Prefeitura de Cuiabá, entrar em cena, para expor mais essa "metamorfose ambulante" desse desprezível homem do Agro chamado Fávaro.

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O lastimável, nisso tudo, é que, com a esquerda domesticada, se aprofunda em Mato Grosso o domínio direitista e a maioria de sua população fica indefesa, iludida, sem ter quem a defenda da lógica rentista que esse período lulista, com a sua política de pacífica convivência com o Centrão, continua impondo sobre todo o nosso País.

Reposicionar o bloco do povo trabalhador em uma posição mais aguerrida em face dos desafios da luta de classes, quem há de?!

O cenário político brasileiro nos últimos anos foi profundamente marcado pelo protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente pelas decisões do bloco liderado pelo ministro Alexandre de Moraes. Enquanto apoiadores do campo progressista e do governo enxergam nessas medidas um escudo vital para a República, críticos e a oposição de direita apontam o surgimento de uma "exceção jurídica". No centro desse embate, há um conceito que talvez explique as duas visões: a Democracia Militante. Não creio que políticos oportunistas como Carlos Fávaro, pressionados em meio à acirrada disputa eleitoral que temos atualmente em Mato Grosso se preocupe com análises como essa. Mas, vamos lá...

Para políticos do PT e seus partidos aliados, a firmeza de Alexandre de Moraes não representaria um abuso de autoridade, mas sim uma reação proporcional e urgente. Lógica essa a que, de repente, Fávaro se contrapõe, de olho nos votos dos bolsonaristas e patriotários da direita.O argumento principal de quem defende o Xandão baseia-se numa pretensa proteção das instituições e do processo eleitoral contra o extremismo.

(Mas como sustentar esse argumento quando os vazamentos do André Mendonça nos mostram o Xandão a dar forma final ao contrato milionário através do qual o corrupto Vorcaro iria tansferir milhões do seu banco para o escritório de advocacia comandado pelo desfocada esposa do poderoso ministro?! Acima da defesa das instituições, pode estar o interessa mais imediato do Xandão de construir a sua fortuna e a fortuna de sua família, aproveitando-se da ocasião que a História lhe proporcionou...)

Sob a ótica do campo progressista, que também é a minha ótica, o Brasil enfrentou uma ameaça real de golpe de Estado, que teve seu estopim nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Diante da inércia que enxergavam em outros órgãos de controle no governo anterior, e diante da falta de povo nas ruas para defender a democracia, o STF precisou assumir o papel de garantir a estabilidade. Para os defensores dessa linha, o combate a milícias digitais, o bloqueio de contas e a suspensão de plataformas que descumprem ordens judiciais são necessários. Afinal, a liberdade de expressão não pode ser usada como salvo-conduto para destruir o próprio regime democrático.

Essa postura do Judiciário encontra amparo teórico, pelo que apuro em minhas pesquisas, no conceito de Democracia Militante (Streitbare Demokratie), criado pelo cientista político alemão Karl Loewenstein na década de 1930. Ao testemunhar como o Partido Nazista usou as liberdades democráticas (como o voto e a livre manifestação) para ascender ao poder e depois destruir a República de Weimar por dentro, Loewenstein, lá na Alemanha, concluiu que a democracia não pode ser ingênua.

Essa teoria defende que o Estado tem o direito — e o dever — de usar mecanismos de autodefesa rápidos e rigorosos para barrar forças extremistas antes que elas sabotem as instituições. Na prática, isso inclui a proibição de partidos antidemocráticos, a cassação de direitos políticos de golpistas e a limitação de discursos que pregam o fim das liberdades públicas.

Por outro lado, a oposição de direita e juristas de linha liberal ou garantista e a imprensa burguesa hegemônica enxergam esse cenário com extrema preocupação. O foco dessa crítica não está necessariamente no resultado das decisões, mas no cumprimento estrito do processo legal. Os questionamentos apontam que inquéritos de longa duração abertos pelo próprio tribunal rompem com o sistema acusatório tradicional, no qual quem investiga não deveria ser o mesmo que julga. Críticos também argumentam que cidadãos sem foro privilegiado deveriam ser julgados na primeira instância e classificam a suspensão de perfis inteiros nas redes sociais como uma forma de censura prévia. O grande temor desse grupo é o paradoxo da própria teoria: ao adotar métodos excepcionais para salvar a liberdade, o Judiciário corre o risco de criar um precedente autoritário, onde qualquer oposição futura possa vir a ser carimbada como "ameaça à democracia". (Quando o ministro Xandão manda invadir a residência de um jornalista no Maranhão e quebrar o sigilo de suas fontes porque este jornalista incomdou a paz e o sossego do seu colega ministro ex-comunista Flávio Dino não é esse precedente autoritário que já está operando?!)

Esse cabo de guerra transformou a dinâmica entre os Três Poderes no Brasil. O STF consolidou-se como o árbitro final da vida política nacional, o que provocou uma forte reação do Congresso. Como resposta, o Legislativo passou a articular projetos para limitar decisões monocráticas de ministros e discutir mandatos para a Corte.

O debate, portanto, vai muito além de disputas partidárias comuns. Trata-se de uma discussão profunda sobre os limites do poder do Estado: até onde um regime democrático pode esticar as regras do jogo para garantir a sua própria sobrevivência?

(E tem sempre aquele contrato milionário que o Xandão datilografou pesando sobre nossa memória... e as vantagens financeiras que estes capas pretas estariam auferindo em meio a todo este conflito institucional...)


Algo me diz que, em meio a esta crise, a eleição pode estar assumindo um tom farsesco e que o novo poder que virá das urnas pode já vir comprometido à medida que mantiver vínculos com o passado que seria preciso superar urgentemente. Mas como fazer essa superação à medida que não existe mobilização popular e a política está tão afastada do sentimento da maioria da população?!

Realmente, temos que debater muito mais tudo isto que está acontecendo! Não se trata apenas de votar neste ou naquela!...

ENOCK CAVALCANTI, 73, e jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, editado a partir da cidade de Cuiabá, MT, desde o ano de 2009.

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