SEBASTIÃO CARLOS: A poesia brasileira está enlutada com a morte de Alexei Bueno

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SEBASTIÃO CARLOS: A poesia brasileira está enlutada com a morte de Alexei Bueno
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Alexei – A poesia brasileira enlutada 

Por Sebastião Carlos 

Esta madrugada [27] a literatura brasileira perdeu um importante pesquisador e  um de seus poetas dos mais significativos. Não somente poeta, mas com igual valor,  também tradutor e ensaista. Pouquíssimo conhecido por estas bandas, faz-se necessária referência à ligação ancestral de Alexei Bueno com Mato Grosso, e particularmente com  Cuiabá. Neto e filho de cuiabanos, registraria a vida do avô em “O herói de Abetaia”,  antonomásia com que ficou conhecido o capitão, depois general, João Tarcísio Bueno. 

Nesse vilarejo nos alpes italianos se deu sangrenta batalha na Segunda Guerra, cuja  tomada pelas tropas brasileiras foi de imensa importância estratégica e na qual a bravura  e o destemor dos pracinhas foi destacado pelo comando do IV Corpo de Exército  Americano, que as forças expedicionárias brasileiras integravam. O oficial cuiabano  posteriormente foi reconhecido como um dos grandes heróis brasileiros, tendo se  tornado nome lendário na história da FEB. Quando da publicação da biografia em 2022  o autor enviou-me um exemplar e então comentei no artigo “O homem que não sabia o  que era o medo”, a que, na segunda edição que acaba de sair o autor faz referência. Sua  genitora, Sônia, nasceu em Cuiabá e logo a família se mudaria para o Rio de Janeiro,  onde nasceria o poeta em 26 de abril de 1963. Alexei que nunca veio a Mato Grosso, mas  que conhecia como poucos a história do Estado, foi por mim convidado para nos visitar.  Ficou de confirmar o convite depois que voltasse da IX Reunião Internacional de  Camonistas, que foi realizada no início deste mês em Lisboa.  

A importância de Alexei Bueno para a literatura e a cultura brasileira  contemporânea extravasa o campo da poesia para alcançar as áreas da tradução e da  editoria. Recebeu vários prêmios, entre os quais o “Jabuti” (2004), o mais importante  prêmio literário no Brasil, o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1995), da  Academia Brasileira de Letras para a Poesia (2004). Entre livros autorais, organização  de antologias e traduções Bueno tem editados mais de três dezenas.  

É evidente que num artigo necessariamente breve e escrito no calor da hora, não  se é possível retratar por inteiro a importância desse intelectual. Mas, vejamos, en  pasant, alguns de seus trabalhos. 

Como tradutor publicou, “Cinco séculos de poesia” [2013], reunindo 12 poetas,  desde o século XVI aos dias atuais. Traduziu ainda vários outros poetas europeus e  americanos. A convite da Unesco organizou a “Anthologie de la poésie romantique  brésilienne”, [2002], publicada em Paris, e ainda para editora espanhola Editorial Danú,  de Santiago de Compostela, a antologia “Poesía brasileira hoxe”, [2004]. 

Como ensaísta e pesquisador organizou, em coautoria com George Ermakoff,  “Duelos no serpentário, uma antologia da polêmica intelectual no Brasil” [2006] e no 

ano seguinte publicou “Uma história da poesia brasileira”. A “Antologia da poesia  portuguesa contemporânea — um panorama”, [1999], em coautoria Alberto da Costa e  Silva, foi muito bem recebida em terras lusitanas. Muito celebrada é também “A  escravidão na poesia brasileira: do século XVII ao XXI”, reunindo 80 poetas e mais de  200 poesias, algumas das quais nunca publicadas em livro. Nesse caso mostrou grande  folego de pesquisador. O ensaio “Machado, Euclides & outros monstros monstros”  [2012] reúne ensaios publicados sobre poetas e prosadores brasileiros — desde Álvares  de Azevedo, Machado de Assis, Castro Alves, Augusto dos Anjos a Drummond, Vinicius de Moraes. 

Mas é, sem dúvida, como poeta que Alexei, com mais de uma dezena de livros  publicados, deixa sua marca. De sua importância já havia dito o escritor português  “Alexei Bueno é talvez a mais poderosa voz da poesia brasileira revelada nas últimas  décadas". Sua última obra é “A Chave Quebrada”, lançada no último mês de maio. Para  encerrar, vale lembrar definições que Alexei Bueno utilizou para a poesia: "Há duas  definições de poesia que sempre nos pareceram, no limitado de toda definição, das  melhores possíveis. Diz a primeira: a poesia é uma indecisão entre um som e um sentido.  Afirma a segunda: a poesia é a arte de dizer apenas com palavras o que apenas palavras  não podem dizer”. 

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Carlos Gomes de Carvalho, poeta e escritor, advogado e membro da Academia de Letras de Mato Grosso, publicou, entre outros, A Arquitetura do Homem, Viagens ao  Extremo Oeste, A Poesia em Mato Grosso – um percurso histórico de dois séculos.

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