A Educação é o pilar central do desenvolvimento de um país.
Ela, no Brasil, deveria, ao menos, ser uma atividade uniformizadora.
Os que a ela se submetem, deveriam sair com os mesmos conhecimentos.
Pois cá, na terra de Araribóia, ela serve para desuniformizar.
A escola pública, com a adoção da aprovação automática, não impõe, em nenhum momento, a necessidade do aluno se esforçar para obter notas para conseguir a própria aprovação.
Ao chegar à vida adulta, aquele garoto/garota da vida descompromissada é colocado em uma sociedade que impõe a meritocracia como condição de ascensão econômica e social.
Não é justo, depois de uma escola play ground, as crianças chegarem ao fim do ciclo sem saberem ler e escrever, submetê-las ao critério da meritocracia.
É como construir uma casa a parir do telhado. Suspenso.
Além de injusto, vejo isso como um crime de lesa futuro.
O deputado Wilson Santos, já o vi tocar nesse assunto em algum programa dizendo que há alunos que passam 9 anos na escola e saem sem saber ler.
O prefeito Abílio disse, algumas vezes, que as crianças tinham que sair sabendo ler e escrever das escolas da prefeitura.
Interessantes essas opiniões, mas foram efêmeras como bolhas de sabão.
Prefeito, faça isso e terá dado validade ao seu mandato.
Volta, o prefeito, à monotonia de direita x esquerda.
Recebeu uma deliciosa e contundente reprimenda do deputado Júlio Campos, que perguntou se o prefeito vai cortar o braço e a perna esquerdos.
Às crianças não é oferecida a oportunidade de se esforçarem.
E eles, inteligentes e ativos, aprontam o tempo todo em cima dos professores. Categoria na qual me incluo prazerosamente, embora já tenha sido vítima dessas mesmas crianças.
Após uma reprimenda em um aluno a classe fez chegar à diretora notícia de que eu estava olhando com lascívia para as crianças de 11, 12 anos e que eu estava carregando preservativos no bolso.
Acusação pesada e sem nenhum lastro na realidade. A diretora, condoída de mim, até mesmo por eu estar no ocaso da vida me confortou.
A escola pública, com a adoção da aprovação automática, não impõe, em nenhum momento, a necessidade do aluno se esforçar para obter notas para conseguir a própria aprovação
Saí imediatamente da escola, pensando: e se eles mentissem que apalpei algum/a aluno/a?
Como eu poderia enfrentar uma acusação desse nível?
Como poderia provar que era mentira daqueles quase bebês?
A minha moral de 40 anos de serviço público, a glória e a honra do nome que carrego dos meus pais, onde iriam parar?
Numa outra escola em que trabalhei, foi dito que instalariam câmeras nas salas.
Seria interessante, para que injustiças não sejam cometidas. E que fossem transmitidas ao vivo para toda a sociedade.
Há que se pensar uma solução rápida para o problema do não aprendizado dessas crianças.
Elas estão sendo forjadas para ser a mão de obra barata que vai servir aos alunos das escolas particulares.
O maior lobby das escolas particulares é a escola pública.
Qualquer pai paga o olho da cara para evitar que seu filho faça bagunça em escolas e de quebra não aprenda nada, ainda que adquira, formalmente o galardão de várias séries.
Isso nos remete a Darcy Ribeiro, que proclamou que a educação brasileira é um processo.
Cruel, excludente, sempre pronta a afundar o fosso da desigualdade histórica existente na nossa amada pátria.
O país precisa dessas crianças bem preparadas, bem lastradas inicialmente, nas várias ciências.
Qual o segredo? Com certeza, não é colocando policiais oprimindo nossos futuros cidadãos.
Perguntem à escola privada. Nesse caso, a cola é benvinda.
ELESBÃO MORENO DA FONSECA é engenheiro civil e músico em Cuiabá, Mato Grosso.
elesbaomoreno52@gmail.com