ELEIÇÕES 2026: Líderes católicos dizem que a Igreja não indica candidatos nem partidos mas alertam contra corrupção, fake news e ódio

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ELEIÇÕES 2026: Líderes católicos dizem que a Igreja não indica candidatos nem partidos mas alertam contra corrupção, fake news e ódio
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O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem oficial ao povo brasileiro por ocasião das eleições de 2026. No documento, a entidade reafirma o compromisso da Igreja Católica com a dignidade humana e com o bem comum, destacando a importância da participação consciente de cada cidadão no processo eleitoral.

A CNBB reforçou que a Igreja não indica candidatos ou partidos políticos. No entanto, orienta que a política deve ser guiada pela ética e pelo serviço à sociedade. Os bispos também fizeram um alerta sobre desafios que afetam a vida pública, manifestando preocupação com problemas como a desigualdade social e corrupção; a compra de votos e abuso do poder político e econômico; a disseminação de notícias falsas e violência.

Merece destaque, no texto, a conclamação para que se fortaleça a Democracia por meio do respeito à Constituição, às instituições da República, à Lei da Ficha Limpa e aos resultados das urnas.

Ao se dirigir aos eleitores, a conferência pontuou que a abstenção não é o melhor caminho e sugeriu um discernimento rigoroso, que avalie a trajetória de vida dos candidatos para além das promessas de campanha. A mensagem encerra com um chamado para a construção da paz social e uma oração pelo país.

LEIA O COMUNICADO DOS LÍDERES DA IGREJA CATÓLICA NA ÍNTEGRA:

MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO BRASILEIRO POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES DE 2026

"Examinai tudo e guardai o que for bom" (1Ts 5. 21).

Ao aproximar-se mais uma eleição nacional, nós, membros do Conselho Permanente da Conferéncia Nacional dos Bispos do Brasil, dirigimo-nos ao povo brasileiro. A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos. Movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-Lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum. Ela parte da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade.


As eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.


À luz do Evangelho, não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminaçõo deliberada de mentiras (fake news). Não é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas. Nõo existe democracia sólida quando a divergência legítima é transformada em hostilidade permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo.


A Democracia, além de eleições periódicas, requer respeito às instituições da República, especialmente à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito, à interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à participação cidadã. Exige também confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa.

Convidamos cada eleitor e eleitora a assumir sua responsabilidade. A abstençáo não é a melhor escolha. O discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas, principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos. O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social.


A esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial. Esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a Democracia e trabalhar pela justiça. Convidamos todos os homens e mulheres de boa vontade a serem testemunhas da cultura do encontro, promotores da paz social e construtores da fraternidade.


Confiamos nosso país à proteção de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do povo brasileiro. Que Ela nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e paz.

Que Deus abençoe o Brasil e ilumine cada eleitor e eleitora.

Brasília - DF, 17 de junho de 2026

Pelo Conselho Permanente da CNBB:

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre - RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia - GO

1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife - PE

2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Bras1ia - DF

Secretário-Geral da CNBB