Jornalista Pablo Rodrigo expõe político de comportamento escroto: Ulysses Moraes, apadrinhado de Max Russi no Podemos

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Jornalista Pablo Rodrigo expõe político de comportamento escroto: Ulysses Moraes, apadrinhado de Max Russi no Podemos

Meus amigos, meus inimigos: o jornalista Pablo Rodrigo acaba de expor, no jornal A Gazeta, aquele que vem se revelando como uma das personaldades mais oportunistas e repulsivas da política mato-grossense contemporânea. Trata-se do advogado e ex-deputado bolsonarista Ulysses Moraes, ultimamente acomodado pelo deputado Max Russi, certamente para tocar a banda podre do Podemos, faturando um gordo salário em funções pretensamente de gerenciamento e fiscalização na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A conduta descrita na reportagem de A Gazeta, a meu juízo, ultrapassa o mero debate ético. Ela se amolda, em tese, a tipos penais específicos e a graves atos de improbidade administrativa, já que trata de um servidor público que recebe salário vultuoso mas sequer precisa bater ponto para provar que está comparecendo ao serviço.

Pelo que descreve o sempre atento Pablo Rodrigo (o mesmo que revelou as investigações da PF sobre o possível envolvimento do filho de Mauro Mendes com o contrabando de mercúrio para o garimpo de ouro), Ulyssses tá como o diabo gosta: fatura uma grana preta, posa como “superintendente” dentro desse cabidão de emprego em que Max Russi parece ter transformado a AL-MT e nem precisa bater ponto, podendo se deslocar livremente por Cuiabá e por todo o Mato Grosso e mesmo pelo País afora praticando aquelas que já foram descritas, em diversos processos judiciais, por suas vítimas, como as suas patifarias cotidianas.

Ora, a se confirmarem os dados listados por Pablo Rodrigo, a conduta do servidor que recebe remuneração pública sem prestar os serviços correspondentes, com a conivência da chefia, encontra expressa barreira no Código Penal Brasileiro (CPB). O desvio de finalidade do dinheiro público para enriquecimento ilícito do agente configura o crime de peculato. O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Inquérito 3.565, consolidou o entendimento de que a contratação de "funcionários fantasmas" que não prestam serviços configura o crime de peculato-desvio, pois há o desvio de recursos públicos em proveito próprio ou alheio.Podemos estar diante de um caso de estelionato contra a Administração Pública (Art. 171, § 3º, CP). A manutenção de um vínculo formal fraudulento (registro sem contraprestação laboral) induz a administração em erro para a obtenção de vantagem ilícita, crime qualificado pelo prejuízo ao erário, que é o cofre abastecido com o dinheiro do povo. Ulysses ocupa, na ALMT, as funções de Superintendente de Controle Interno de Fiscalização Financeira e Contábil

Ninguém precisa ser nenhum doutor ou mestre de linguagem para perceber, pelo que escreveu o Pablo Rodrigo, que estamos diante de um personagem de comportamento escroto, repulsivo, daqueles que provocam vômito nas pessoas mais sensíveis. Leia agora, se ainda não leu, o texto do Pablo:

Servidor público, ex-deputado não bate ponto e já recebeu mais de meio milhão em salário | Gazeta Digital

Um verdadeiro espetáculo de hipocrisia! Temos esse tal Ulysses Moraes, o autointitulado paladino da ética, o sujeito que, como se tem visto nas redes, adora botar câmera na cara de estudante e trabalhador pra gritar "quem é que paga o seu salário?". Pois bem, agora a gente sabe: quem paga o salário dele — e paga muito bem, pois são calculadamente quase 800 mil reais em mamatas comissionadas, através desses atos todos em que ele tem sido albergado por Max Russi — somos nós, os pacatos cidadaos contribuintes!

Graças à cumplicidade do presidente da Casa, deputado Max Russi, gran senhor do Podemos, o senhor Ulysses posa de "fiscal" na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, mas, na hora do expediente, em vez de bater ponto e trabalhar, o político do Podemos, pelo que se descreve em A Gazeta, tá na rede social fazendo videozinho de lacração bolsonarista.

É a velha tática: grita "pega ladrão" enquanto se farta no banquete do dinheiro público sem sequer pisar no escritório!

E não se engane, não tem amadorismo nessa palhaçada. Esse circo só continua de pé porque o dono da lona deixa e é parceiro desta performance teratológica. Onde está o senhor Max Russi, presidente da Casa e correligionário desse rapaz no Podemos diante de tudo que se denuncia? É uma conivência escandalosa! Russi assiste de camarote a esse comportamento errático e debochado, denunciado já por diversas vezes pelo imprensa, e reforçado agora pelo texto do Pablo Rodrigo - permitindo que a ALMT vire um refúgio para quem diz detestar os controles do Estado, mas ama uma folha de pagamento generosa. Pelo que se documenta, é o sujo protegendo o mal lavado sob o manto do partido Podemos, transformando a fiscalização financeira em uma piada de mau gosto paga com o suor do contribuinte mato-grossense.

A conduta do deputado Max Russi, ao permitir e chancelar a ausência do subordinado da folha de ponto enquanto este atua como militante digital, atrai, a meu juízo, data maxima vênia, a incidência do Artigo 319 do Código Penal (Prevaricação). O tipo penal pune o funcionário público que retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal — neste caso, o interesse político-partidário de expansão do Podemos.

Pelo que descreveu Pablo Rodrigo, é uma vergonha completa. Ulysses Moraes xinga manifestante no Dia do Trabalhador dizendo que "a esquerda não trabalha", enquanto ele próprio embolsa quase 20 mil por mês de dinheiro líquido sem precisar nem ver a cor do crachá. É o ápice do cinismo dessa "nova política" que, no fim das contas, é mais mofada e oportunista que qualquer coronelismo do século passado. Max Russi e Ulysses Moraes provam que, no Podemos, o que eles "podem" mesmo é rir da cara do povo mato-grossense, enquanto o erário sangra para sustentar influencer de gabinete.

O ordenamento jurídico civil-administrativo sanciona severamente o enriquecimento sem causa à custa do Estado. O caso em tela subsume-se perfeitamente aos seguintes dispositivos da Lei nº 8.429/92 (com as alterações da Lei nº 14.230/2021):

  • Artigo 9º, IV: Configura enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato ou função, notadamente a percepção de vantagem econômica para não trabalhar.
  • Artigo 10, I e XII: Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão que enseje a perda patrimonial ou permita que terceiro se enriqueça ilicitamente à custa dos cofres públicos.
  • O Princípio da Moralidade (Art. 37, CF/88): O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência pacífica (REsp 1.841.512) no sentido de que o recebimento de remuneração por servidor público sem a respectiva prestação dos serviços viola frontalmente o princípio constitucional da moralidade administrativa, impondo o ressarcimento integral do dano e a perda dos direitos políticos.

A simbiose entre o influencer de gabinete Ulysses Moraes e o seu chefe e articulador Max Russi não é apenas um caso de compadrio partidário, mas o motor de um ambicioso projeto de poder que, aparentemente, visa o controle total da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e, quem sabe, o Palácio Paiaguás a partir de 2026.

Max Russi, agora presidente estadual do Podemos após migrar do PSB, saltando da esquerda para a direita com o maior desassombro, fornece a Ulysses Moraes a estrutura e o abrigo necessários para que ele mantenha sua militância digital enquanto ocupa um cargo estratégico de controle interno. Em troca, o ex-deputado serve como ponta de lança ideológica, mantendo o partido relevante nas redes sociais e atraindo o eleitorado da pretensa "nova direita".

Sob o comando de Russi e com a liderança regional de Ulysses, o Podemos planeja se tornar a maior força da ALMT, projetando a eleição de até seis deputados estaduais, pelo que se lê na imprensa regional – grande parte dela subvencionada fortemente pelo cofres do Parlamento estadual. Essa força legislativa é o trunfo de Russi para as eleições majoritárias: já foi cogitada a possibilidade dele disputar o Governo do Estado, caso aconteça uma falência da atual candidatura posta, que é a candidatura do ruralista Otaviano Pivetta. E seu partido estará sempre atento à possibilidade de ocupação de vagas de vice ou suplência.

Após ser esmagado nas urnas, na eleição passada, Ulysses Moraes parece focar em retomar sua cadeira na Assembleia Legislativa. Seu comportamento errático e as críticas ao "sistema" são peças de um marketing político que ignora a própria folha de pagamento na ALMT para se vender como um fiscal independente, tudo sob a proteção de Russi, que usa o Podemos para filiar dezenas de prefeitos e consolidar um exército eleitoral.

Essa dobradinha, a meu juízo, cria um cenário onde a fiscalização financeira e a ética parlamentar tornam-se secundárias diante da conveniência de manter um agressivo "exército digital" alimentado por recursos públicos para garantir a sobrevivência e a expansão desse braço do grupo político bolsonarista em nosso Estado.

E tudo isso, imagino eu, na minha eterna inocência, reclama pela intervenção dos doutos promotores do Ministério Público de Mato Grosso, notadamente do Ministério Público Eleitoral. Por onde anda o MP? Será que as autoridades do MP-MT leram a reportagem-denúncia do jornalista Pablo Rodrigo?

Espero que tenham lido e respondam à sua responsabilidade de agir para esclarecer situação tão escabrosa.

Disse-o e salvei minha alma!





ENOCK CAVALCANTI, 72 anos, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK que se publica, a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.