Gilmar Fabris e Mauro Savi, a volta dos que não foram
Por Enock Cavalcanti
Quem te viu, quem te vê. O ex-deputado Gilmar Fabris foi muito hostilizado pelos servidores públicos de Mato Grosso, sobretudo durante as votações da Revisão Geral Anual (RGA) em 2016, quando ele defendia, de forma abusiva, como um cão danado, a gestão do então governador José Pedro Taques. Taques e sua tropa de apoio estabeleceram uma verdadeira guerra contra os servidores.
Na ocasião, ao invés de dialogar, como mostram gravações da época, o parlamentar adotou postura agressiva, repressiva, intimidadora e ofendeu homens de mulheres do movimento sindical, disparando palavrões contra eles e também mostrou o dedo do meio para os manifestantes que lotavam as galerias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em protesto contra o arrocho salarial. A postura escrota de Fabris, foi amplamente registrada pela mídia, como pode se conferir: https://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/06/deputado-mostra-dedo-do-meio-e-xinga-grevistas-durante-sessao-em-mt.html
Gilmar Fabris, literalmente, mandou os militantes do sindicalismo do serviço público tomarem no cu, em uma postura de desprezo total pela esforço dos servidores de, pressionando a gestão anti-povo do governador Zé Pedro, recuperarem o poder de compra de seus salários.
Foi um dos mais trágicos e mais lastimáveis momentos do enfrentamento da esquerda sindical com os políticos conservadores e de direita em Mato Grosso.
O forte repúdio ao político Gilmar Fabris – uma cria do grupo político comandando por Júlio e Jayme Campos - também está ligado ao seu longo histórico de escândalos, que inclui condenações por desvios de dinheiro na Assembleia Legislativa (como no caso do desvio de R$ 1,5 milhão em 1996) e uso irregular de cartões de combustível do Legislativo.
Sobre a articulação com Lula
Atualmente, nesse ano de 2026, com a realização de novas eleições o ex-parlamentar cuja base de sustentação sempre esteve no municipio de Rondonópolis, tenta se reabilitar e voltar ao cenário político. Ou seja, faz um movimento assemelhado ao do ex-governador José Pedro Taques.
Nos últimos tempos, Gilmar Fabris tem se posicionado como um articulador nos bastidores e buscado aproximação com o espectro político de centro-esquerda e com o presidente Lula (PT). Para viabilizar suas intenções, ele se filiou ao PSD (Partido Social Democrático), comandado nacionalmente por Kassab e regionalmente pelo ruralista Carlos Fávaro. Como metáfora, pode-se dizer que o PSD de Fávaro, e também a campanha de Lula por estas bandas, têm hímem complacente.
Em declarações recentes, Fabris revelou conversas com o presidente com o intuito de costurar alianças e apoios para candidaturas em Mato Grosso. Esse movimento é visto como uma estratégia para tentar limpar sua imagem pública, conseguir palanque e atrair novos eleitores, unindo sua base tradicional a legendas alinhadas ao Governo Federal.
A ironia fica por conta do fato dele subir no palanque com figuras com que se confrontou no passado como os sindicalistas Henrique Nascimento, Rosenwal Rodrigues, Carmem Machado, Robinson Ciréia, Moisés Franz, procurador Mauro Lara, professora Rosa Neide, médico Lúdio Cabral, empresário Eron Cabral. E tantos e tantas outras que hoje se dispõem a aceitar a convivência com aquele demônio do passado repressor, sem o mínimo de pudor.
Ao lado de Gilmar Fabris, tambem tenta retornar ao poder o ex-deputado e também ex-presidene da ALMT Mauro Savi. Além, das brigas com os sindicalistas, Fabris e Savi também ganharam manchetes por frequentarem a prisão em determinados momentos, por responderem a processos em que foram acusados de corrupção, improbidade administrativa e abuso do poder econômico. Alguns destes processos se arrastam ate a presente data.
Enquanto Fabris, tenta voltar pelo PSD de Fávaro, Savi deve buscar o retorno pelo Podemos de Max Russi, que milita no espectro da direita e deve apoiar parar presidente o senador Flávio Bolsonaro, dito Rachadinha e Tariflávio.
A memória é que faz a História - Sobre Gilmar Fabris
Uma rápida consulta no Google, feita por mim – e que também pode ser feita por qualquer cidadão, eleitor, contribuinte – mostra que o ex-deputado estadual Gilmar Fabris esteve preso em Mato Grosso devido a uma acusação de obstrução da Justiça. A prisão preventiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumprida pela Polícia Federal em setembro de 2017, após desdobramentos da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa. Confira no G1 - https://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/apos-40-dias-preso-deputado-de-mt-que-aparece-em-video-reclamando-de-suposta-propina-e-solto.ghtml
Na ocasião, Fabris foi acusado de ter deixado seu apartamento em Cuiabá carregando uma mala com documentos pouco antes de a polícia chegar para cumprir um mandado de busca e apreensão, o que foi interpretado pelas autoridades como uma tentativa de ocultar provas. O ex-parlamentar permaneceu detido por cerca de 40 dias no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), sendo solto após a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) votar e aprovar uma resolução determinando sua soltura.
Além do episódio da prisão por obstrução, o histórico do ex-deputado na Justiça de Mato Grosso envolve diversas outras investigações por crimes contra a administração pública:
Desvios na Assembleia - Foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pelo crime de peculato. A acusação apontou o desvio de R$ 1,5 milhão por meio de fraudes em cheques na época em que ele presidia a Casa de Leis.
- Operação Cartas Marcadas: Responde a processos envolvendo uma suposta fraude na emissão de certidões de crédito de servidores públicos. O prejuízo estimado aos cofres do Estado atinge cifras milionárias. [1]
- Uso Irregular de Cartões de Combustível: Foi condenado por peculato após investigações apontarem que cartões corporativos de abastecimento da ALMT foram utilizados ilegalmente para abastecer veículos particulares de terceiros e familiares. [1, 2]
- Fraude em Atestados Médicos: Recebeu condenação civil para ressarcir o erário por utilizar atestados médicos sequenciais fictícios. A manobra servia para abrir espaço para que suplentes assumissem a vaga na Assembleia sem que ele perdesse a remuneração integral.
A memória é que faz a História - Sobre Mauro Savi
Nova pesquisa no Google e muita informação desabonadora. O ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Mauro Savi, foi preso preventivamente em maio de 2018 sob a acusação de liderar um esquema criminoso que desviou cerca de R$ 30 milhões do Detran-MT. Confira: https://www.mpmt.mp.br/conteudo/44/74658/savi-taques-e-outros-quatro-sao-presos
A prisão ocorreu durante a deflagração da Operação Bônus, que funcionou como a segunda fase da conhecida Operação Bereré, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público.
De acordo com as investigações do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Mauro Savi desempenhava um papel central na organização criminosa. O esquema consistia no desvio de taxas de registro de contratos de financiamento de veículos executados por uma empresa terceirizada que prestava serviços ao órgão de trânsito.
Cerca de 90% dos valores arrecadados com o serviço eram repassados para empresas de fachada e convertidos em propina para benefício de agentes públicos e políticos. O ex-parlamentar virou réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Além do caso Detran-MT, o nome de Mauro Savi esteve ligado a outras investigações em Mato Grosso:
- Fraudes Ambientais: Denunciado por suposto envolvimento em fraudes de créditos florestais fictícios no sistema Sisflora da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), investigado na Operação Driades.
- Rombo em Obra da ALMT: Réu em processos civis por improbidade administrativa relativos a indícios de superfaturamento na construção do estacionamento da própria Assembleia Legislativa. Após passar meses detido no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC, o ex-deputado obteve o direito de responder aos processos em liberdade. A defesa do político sempre negou as acusações, alegando inocência e contestando a legalidade dos métodos de investigação utilizados na época.

ENOCK CAVALCANTI, 73, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, MT, desde o ano de 2009.

Gilmar Fabris e Mauro Savi, com longa capivara com denúncias de corrupção movidas pelo MP, mereceram panegírico até do Blog do Popó.