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Aquilo que vemos nos livros sobre o Cerrado, eu pude visualizar ao longo da pesquisa no Legado Verdes do Cerrado. Nem na minha época de infância, andando pela região do Orizona, em Goiás, eu vi um Cerrado tão bonito e tão diverso. Geralmente, o que encontramos são ‘fragmentos’ de vegetação em pequenas áreas, mas no Legado é diferente, há vários tipos de vegetação do bioma, incluídos em formações florestais, savânicas e campestres espalhados pela reserva. Ali, eu pude constatar quanta riqueza o Cerrado possui”, enfatiza a doutoranda da UFG.Relevância acadêmica e ambiental – As visitas de campo ao Legado Verdes do Cerrado foram autorizadas no fim do ano de 2017, quando foi firmado o acordo para a realização do estudo entre o Inventário Florestal Nacional (IFN), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Serviço Brasileiro Nacional (SFB), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). As amostras botânicas foram coletadas ao longo de 2018 e incorporadas aos Herbários da UFG e da Embrapa Cenargen (Centro Nacional de Recursos Genéticos), locais que abrigam e conservam fragmentos vegetais derivados de pesquisas científicas. As análises das amostras coletadas no Legado foram levadas ao laboratório de Inventário Florestal da UFG. Durante o levantamento para o seu doutorado, com previsão de conclusão ainda em 2021, Indiara encontrou espécies vulneráveis e ameaçadas de extinção, como a Garapa e o Cedro. Além dessas, foram identificadas árvores protegidas pela legislação ambiental do Estado de Goiás, como o Baru, o Pequi, a Aroeira, o Angico e o Gonçalo Alves, além de três espécies de Ipês. O resultado detalhado da pesquisa, incluindo a lista das espécies de árvores nativas identificadas no Legado, poderá ser conhecido, em breve, em artigo que está sendo produzido para publicação científica da Escola de Agronomia da UFG. As informações apuradas ajudarão a escrever um importante capítulo na história da conservação do bioma para o Brasil. O acesso aos dados pode estimular o desenvolvimento de ações ainda mais consistentes para a valorização e conservação do Cerrado no norte de Goiás, que passa a contar com uma lista inédita das espécies de árvores nativas do bioma nessa região. Para Indiara, o estudo marca de forma significativa sua carreira na pesquisa. “O maior presente de um trabalho como esse é saber que estou trilhando um caminho muito importante da história do Cerrado, que possui uma biodiversidade muito valorosa. Poder contribuir com a conservação do bioma é algo que me realiza como pesquisadora”, finaliza a doutoranda da UFG.
