Uber promove cruel exploração de trabalhadores pelo mundo afora, diz sociólogo Ricardo Antunes

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Uber promove cruel exploração de trabalhadores pelo  mundo afora, diz sociólogo Ricardo Antunes
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O sociólogo Ricardo Antunes define a "uberização" como um processo de precarização extrema e camuflada. Segundo o professor da Unicamp, esse modelo mascara a exploração ao rotular os trabalhadores como "parceiros autônomos", resultando na perda de direitos fundamentais, jornadas exaustivas e dependência de algoritmos. Segundo a análise do sociólogo, a suposta flexibilidade de horários esconde um controle algorítmico rigoroso. Os trabalhadores acabam se submetendo a jornadas extenuantes—muitas vezes superiores a 12 horas—para atingir a meta diária e sobrevive. O assalariamento tradicional é ocultado. O trabalhador lida sozinho com todos os riscos da atividade (como combustível, manutenção do veículo e saúde) sem o amparo de redes de proteção. Em sua obra central "O Privilégio da Servidão", Antunes argumenta que, devido ao desemprego crônico, os trabalhadores acabam aceitando a condição de "servos digitais" como a única alternativa para uma precária sobrevivência. Apesar dessa severa crítica, Antunes também aponta que esse cenário gerou novas formas de resistência e auto-organização, como os movimentos de paralisação e protestos dos entregadores e motoristas conhecidos como "breque dos apps". Ou seja, muitos dos entregadores e motoristas já desenvolveram um consciência de classe sobre a exploração a que estão submetidos. Ver menos