RIBEIRÃO CASCALHEIRA, MT - 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada faz memória aos 50 anos do martírio do padre João Bosco Burnier

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RIBEIRÃO CASCALHEIRA, MT - 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada faz memória aos 50 anos do martírio do padre João Bosco Burnier
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Durante os dias 18 e 19 de julho, uma mobilização de romeiras e romeiros toma o chão sagrado das fronteiras da Amazônia. É a 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada Latinoamericana, em Ribeirão Cascalheira, na Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), este ano fazendo memória dos 50 anos do martírio do Padre João Bosco Penido Burnier, da libertação de Margarida e Santana, bem como dos 50 anos do martírio do Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo. O Padre João Bosco Burnier foi assassinado em 1976, quando intercedia com o bispo Pedro Casaldáliga pela libertação de duas mulheres camponesas, Margarida e Santana, que estavam sendo torturadas na delegacia local. Aí foi construído o Santuário dos Mártires da Caminhada Latino-americana, onde se celebra a memória de seu martírio e o de tanta gente comprometida com as causas e as lutas de libertação de nosso povo.CartazA arte do cartaz, realizada por Anderson Augusto, é repleta de cores quentes e girassóis, tendo ao centro o padre João. O seu sangue derramado tornou-se semente: no lugar da violência, o povo ergueu o Santuário dos Mártires.Ao seu lado, uma nuvem de testemunhas, mulheres e homens que, pela doação da vida, seguem os passos de Jesus de Nazaré: Irmã Dorothy Stang, Santo Oscar Romero, Chico Mendes, Santo Dias, Margarida Alves, Marielle Franco, Sepé Tiarajú, Simão Bororo, Pe. Rodolfo Lunkenbein, Mons. Enrique Angelelli, Vladimir Herzog, Vilmar de Castro, Irmã Adelaide, Irmã Cleusa, Pe. Ezequiel Ramin, Manoel do MST, Berta Cáceres, Nativo da Natividade, Ir Bernadete, Pe. Josimo, além de tantas outras e outros que permaneceram fiéis até o fim, erguendo sua voz em defesa da vida, como o próprio Pedro Casaldáliga. Há também uma criança com a kufyia (lenço palestino) e um ramo de oliveira que nos une à luta do Povo Palestino contra o genocídio, e por liberdade e autodeterminação.Na base do cartaz, mãos acolhem essa história, se misturam com a terra na defesa da Casa Comum, cuidam e trazem esperança. Do sangue dos mártires brota uma semente que dá frutos de Bem Viver, simbolizando que a vida vence a morte.Ao fundo, as ruínas da antiga cadeia e a cruz do Pe. João Bosco recordam o porquê de toda esta luta: a construção do Reino de Deus, o Reino de Justiça e de Paz. Todo esse grande mutirão é guiado pela Divina Ruah (o Espírito Santo, em forma de pomba e de vento), que acompanha e embala romeiras e romeiros, na esperança do Novo Céu e Nova Terra.

Nota do Blogueiro - O vídeo em homenagem aos 46 anos de Morte do Padre João Bosco Penido Burnier, foi elaborado pelo Historiador e Professor Joel Praxedes Capistrano em 2022.