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Várias decisões judiciais, de lá pra cá, que a mídia disse que aconteceram, mas nós nunca fomos citados, cortaram ponto, bloquearam conta e promoveram uma verdadeira caça às bruxas, ou seja, Ministério Público (MPE) e Judiciário a serviço do Executivo. Se as duas partes não se entendem (categoria e Governo), o razoável era que o MP e o Judiciário interviessem como conciliadores, mas isso não ocorreu. É uma tratativa unilateral”, critica.Segundo o secretário-geral, os plantonistas estão em seus postos, garantindo a segurança, vigilância, disciplina e ordem nas unidades prisionais, bem como a saúde, alimentação e tudo que é essencial aos reeducandos. Diferentemente do que vem sendo divulgado, a categoria não está negligenciando serviços de maneira a prejudicar a sociedade. O não recebimento de novos presos não é uma retaliação, mas uma condição técnica, segundo Lucivaldo.“
O recebimento de presos está suspenso porque todas as unidades prisionais de Mato Grosso estão superlotadas, não cabe mais ninguém e por isso não estamos aceitando. Ocorre que isso está causando um desconforto imenso em outras forças de segurança e o Governo distorce a realidade para jogar todos contra nós. Isso é deplorável”, esclareceu.O representante dos trabalhadores faz questão de frisar que o sistema prisional de Mato Grosso, pela ação dos seus servidores, é um dos melhores do Brasil, mesmo com o Governo, com atitudes como as que se vê agora, buscando desconstruir tudo que foi erguido com “sangue e suor por homens e mulheres, com seus próprios recursos”. “Não se houve falar em rebelião, fuga ou motim em nosso estado. Nós seguramos as portas do inferno para que a sociedade durma em paz”, ressalta Lucivaldo.Outro ponto esclarecido pelo sindicalista é referente ao salário, que no início de carreira é pouco mais de R$ 2 mil líquidos no estado, diferentemente do que narrou o governador, que entrevista à rádio Conti menosprezou a categoria com números irreais, buscando inflamar a sociedade contra os policiais penais, dizendo que exigem um aumento de 90%;“
O cara acabou de virar policial penal, porque ele vai ganhar muito mais que um policial militar que está na rua, que está se expondo com grande dificuldade? Não tem muita lógica e não é na base da pressão que vamos ceder alguma coisa”, disse o governador, citando ainda que “tem policial penal que ganha R$ 11 mil”.Segundo Lucivaldo, existe sim “um ou outro” que ganha em torno de R$ 10 mil, mas com 30 anos de serviço prestado e em número bruto. “Aí deduz 27,5% de Imposto de Renda, mais 14% de Previdência e este cidadão recebe pouco mais de 5 mil. A verdade é que tem que sentar e negociar, mas o Governo não quer. Aposta todas as fichas que o MPE e no Judiciário acabem com os servidores e destruam o sistema penitenciário”, finalizou, afirmando que o mínimo de 30% de atividade em algumas unidades não é possível pela própria escassez de profissionais “Tem locais que temos apenas dois plantonistas”, exemplifica.O pleito salarial da categoria envolve uma equiparação com outras carreiras policiais, o que, na prática, elevaria a média salarial em cerca de 50% no estado. O governador ironizou os grevistas, visto que recentemente os trabalhadores em questão conseguiram alcançar legalmente a nomenclatura que historicamente buscaram. “Eles queriam tanto ser policiais penais e está na Constituição que policial não pode fazer greve”, alfinetou.Apesar de cobrar os deveres, o gestor não citou a garantia dos direitos agregados dos servidores, por exemplo, em relação aos vencimentos. O sindicalista reconhece a dificuldade do momento atual. “Não sei até quando aguentamos essa queda de braço, mas o movimento segue”, finalizou.FONTE MINUTO MT
Lucivaldo Vieira, o Lucivaldo do Sindspen MT
