Síndrome respiratória mata, na virada do ano, o radialista Lino Rossi, uma das grandes personalidades do rádio e da TV popular em Cuiabá

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O jornalista Laudnir Lino Rossi, 64 anos, morreu na noite desta sexta-feira (31) após ser intubado no Hospital São Mateus, em Cuiabá. Segundo se informa, o radialista apresentava quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Ele foi uma das vítimas de sintomas de gripe há 4 dias, segundo o boletim médico. Lino procurou o pronto atendimento durante a madrugada e apresentava saturação de 75% (o normal é acima de 95%). Os primeiros exames mostraram insuficiência renal com elevação de escorias nitrogenadas, ou seja, os rins não estavam conseguindo eliminar as toxinas. Lino nasceu em Astorga, Paraná em 1957. O governo de Mato Grosso e a Prefeitura de Cuiabá divulgaram nota lamentando a morte do comunicador e político.O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro foi laudatário na despedida: “A comunicação perdeu neste dia 31 de dezembro um dos maiores exemplos do jornalismo, de ética no exercício profissional, de inteligência, de habilidade fantástica na condução das entrevistas que pude lhe conceder. Atordoado estou diante de uma notícia, que deixa uma lacuna na comunicação, em desamparo a todos os que o conheciam. Aos familiares, o que me acalenta em um momento de tamanha consternação, é saber que meu amigo de longa data, radialista respeitado e admirado, Lino Rossi, está amparado nos braços do Pai”."Recebemos a notícia com muito pesar, porque Lino Rossi era um amigo e um grande jornalista. A imprensa, a política e toda a sociedade mato-grossense perderam um grande homem. Eu e Virginia estamos em oração para que Deus conforte a família e os amigos", lamentou o governador Mauro Mendes. O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, destacou a trajetória profissional de Lino. "Ele foi um grande comunicador. Sabia como ninguém transmitir a informação pelas ondas do rádio. Ele deixará saudade", afirmou Mauro Carvalho. Lino Rossi iniciou carreira como locutor nas Rádio Astorga, PR, Rádio Renascença, Ribeirão Preto, SP, Rádio A Voz de Catanduva, SP, Rádio Brasil Central, Goiânia, GO, e Rádio e TV Tropical, Porangatu, GO, Rádio e TV Gazeta, Cuiabá, MT. Chegou a iniciar curso de Jornalismo, em Ribeirão Preto, mas não chegou a concluí-lo.Lino ganhou fama pela apresentação de programas policiais em Mato Grosso, tendo comandado o Cadeia Neles MT​, da TV do Dorileo Leal em seu auge. O sucesso na TV garantiu o sucesso na política, já que as emissoras do grupo de comunicação davam as cartas na política de Mato Grosso, favorecido pela proximidade com o então governador Dante de Oliveira. A proximidade da Gazeta com os tucanos era tanta que, quando os derrotou, em 2002, o sojicultor Blairo Maggi e seu lugar tenente Luis Antônio Pagot chegaram a falar em "privatizar a Gazeta", para pretensamente acabar com a sua influência sobre a administração pública em Mato Grosso.O fato é que, à sombra da Gazeta, Lino Rossi foi eleito vereador pelo PDT, em Cuiabá, em 1996 e deputado federal pelo PSDB em 1998, com 78.434 votos e permaneceu no Congresso Nacional entre 1999 a 2003. Nesse período, alcançou também sucesso na TV brasileira, atuando como um dos apresentadores do Cidade Alerta, da Rede Record de Televisão. Foi eleito suplente em 2002 com 40. 630 votos e voltou a ocupar a cadeira de deputado federal por Mato Grosso de 2004 a 2007, em substituição a Wilson Santos que se elegeu Prefeito de Cuiabá. Tentou também a Prefeitura de Várzea Grande, porém sem sucesso. Trocou então a TV novamente pelo rádio, e Lino se notabilizou com entrevistas políticas e análise de cenários econômicos, ao lado do também já falecido José Marcondes Muvuca​, do analista Vinicius Carvalho e do economista Vivaldo Lopes​, no programa "Chamada Geral". Uma última tentativa de se eleger deputado estadual pelo Partido Verde​, em 2016, foi frustrante, tendo recebido apenas 1.242 votos, já que sua passagem pela política fora seriamente abalada pelo chamado Escândalo dos Sanguessugas.​ Sim, bafejado pelo sucesso popular, Lino Rossi conheceu o céu e o inferno que muitas vezes aparecem como corolários desta fama. Em 2006 seu nome fora envolvido nas investigações da Polícia Federal sobre o chamado caso da máfia dos Sanguessugas: um esquema de compra de ambulâncias com valor superfaturado em até 120%, propiciado por emendas orçamentárias individuais de deputados federais. Lino Rossi foi acusado de aliciar colegas para o esquema. Mesmo negando as acusações, o deputado afirmou manter laços de amizade com a família Vedoin, proprietária da empresa Planam, em Cuiabá, apontada pela PF como articuladora do esquema de propinas.Ultimamente Lino Rossi apresentava os programas Chamada Geral, da TV Brasil Oeste (TBO), da família do ex-governador Júlio Campos​ e o programa Giro Conti, da Rádio Conti da família do ex-governador Silval Barbosa​. A família informou que em respeito a vontade do jornalista, não haverá velório. O sepultamento será na tarde deste sábado (1°), no Cemitério do Parque Cuiabá, na Capital.