Fake news, seu nome em Mato Grosso é Mauro Mendes
Meus amigos, meus inimigos, eu conheço essa gente! Conheço, razoavelmente, as atividades públicas do empresário e governador, o sr. Mauro Mendes, que, ano passado, produziu escandaloso fake news contra o jornal A Gazeta, e contra os jornalistas de A Gazeta, e contra o empresário João Dorileo Leal, e, agora, parece que resolveu ousar e abusar do seu poder de supremo gestor estadual, para, ao que parece manipulando a própria estrutura do Poder Judiciário e da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, constranger pretensamente 6 (seis) agentes policiais, a invadirem a minha residência, na madrugada sombria do dia 6 de fevereiro de 2024, respaldados por mandado judicial, que tive que acatar, e tentar me constranger para que eu, como velho e experiente jornalista mato-grossense, aos quase 71 anos de idade, deixe de opinar sobre as atitude truculentas que adota, apesar de figurar como aquele servidor público número um do Estado, governador eleito pela maioria sofrida do nosso povo, que deveria honrar as calças que veste e agir com mais dignidade para fazer cumprir as Leis nesse Estado – e não para aviltá-las, como, ao meu juízo, parece que estamos vendo neste momento. No mesmo dia em que invadiram a minha casa, os policiais também invadiram as residências do jornalista Alexandre Aprá e do Popó Pinheiro.
Tenho quase 71 de idade, tenho mais de 35 anos de atividade pública neste Estado de Mato Grosso e nunca deixei de ter toda a tranquilidade necessária para exercer as minhas atividades como jornalista e como advogado neste território mato-grossense. Não me calei diante de tantos e não posso me calar, agora, diante desse senhor, notório apoiador de Bolsonaro – aquele ex-presidente da República investigado pela pretensa formação de uma Abin paralela - que, agora, parece que se levanta para tentar me carimbar como criador de fake news, quando as notícias falsas, pelo que já se identificou e se noticiou, saíram mesmo é do gabinete que ele, Mauro Mendes comanda, articulando em torno de si as estruturas do poder no Estado, seja da Polícia, seja do Poder Judiciário, seja da Assembleia Legislativa, seja do Tribunal de Contas, seja de uma maioria da imprensa regional bem paga e sempre de cócoras ante as suas vontades. Os fatos que presenciamos nessa véspera de Carnaval precisam ser apurados com critério e competência, e espero que não faltam autoridades públicas para cumprir com este mister, no interesse maior da sociedade.
Lembro, para esclarecer de imediato a questão, que não fui eu que assumi, com alarde, a boca de cena, em julho de 2023, para espernear e ameaça processar o jornal A Gazeta, seus jornalistas e os dirigentes do Grupo Gazeta de Comunicação por conta de reportagem que revelou que a empresa de um dos filhos do governador, o sr. Luís Antônio Taveira, a empresa Kin Mineração Ltda, fora uma das que adquiriu mercúrio ilegal como identificado pela Operação Hermes da Polícia Federal. Segundo nota do governador, que a maioria da imprensa publicou com destaque e sem qualquer questionamento, a reportagem de A Gazeta seria ‘mentirosa, caluniosa e criminosa’. A fake news lançada ao vento, então, por Mauro Mendes, com grande alarde, pode ser conferida, no Midia News, dos jornalistas Ramon Monteagudo e Anselmo Carvalho: https://www.midianews.com.br/politica/mendes-aciona-a-gazeta-na-justica-por-materia-contra-seu-filho/449001.
Estardalhaço em todos jornais, nos saites, nos rádios e na TV. Mauro Mendes, com toda panca de governador deste Estado ruralista, a garantir que o jornal comandado pelo sr. João Dorileo Leal mentia, e rebatendo que não existia inquérito nenhum contra o seu filhote Luis Antônio Taveira, a anunciar processo judicial contra A Gazeta e contra os jornalistas de A Gazeta, porque, segundo ele, a reportagem só teria sido feita, e os ataques contra ele e seu governo disparados, porque a empresa do sr. Dorileo teria perdido importante licitação para definir agências de publicidade que passariam a distribuir a rica publicidade oficial do governo comandado por ele mesmo, o sr. Mauro Mendes.
Ficou flagrante, ali, o interesse do sr. Mauro Mendes em carimbar o sr. Dorileo Leal e suas empresas como chantagistas que estariam lançando mão de toda sorte de artifícios para mamar da grana pública que a Secretaria de Comunicação do Estado controla.
Tenho pra mim que a memória do poder e da imprensa de Mato Grosso é uma memória viciada e corrompida e ninguém lembra agora – quando a residência de um velho jornalista de quase 71 anos é invadida por 6(seis) agentes da PJC a mando do governador – no que deu todo esse estardalhaço que Mauro Mendes criou sobre A Gazeta.
Eu conheço essa gente. E se vou agora ser alvo da Policia, se vou ser processado e denunciado como pretenso produtor de notícias falsas, tenho o direito de tentar restabelecer a verdade, porque sempre zelei pela prática de um jornalismo pautado pela verdade e pelo interesse público. Não aceito e repilo as pechas que o sr. Mauro Mendes tenta atirar contra mim.
O episódio dos ataques furiosos contra A Gazeta deixou bem claro que fake news é um nome que pode muito bem ser aplicado ao sr. Mauro Mendes, não a mim, Enock Cavalcanti. Simples assim.
Se o juiz João Bosco e as demais autoridades judiciais e policiais tivessem um mínimo de atenção, imagino eu, evitariam se expor de forma tão constrangedora nesse ataque a este velho profissional da imprensa, ao Aprá e ao Popó. É uma situação que clama aos céus, mas o que se vê é mais uma tentativa de fazer crer que a versão pode valer mais do que os fatos.
Bastaria que as autoridades olhassem em derredor, com o mínimo de critério, tivessem bem claro em suas memórias os fatos recentes, e não caíssem nesta esparrela de apoiar essa agressão a mim que julgo merecer respeito pelo muito que já fiz neste Estado, e pela dignidade dos meus quase 71 anos de idade. Mas aqui em Mato Grosso a coisa parece que funciona assim: a História e a Legislação valem pouco quando o atual dono do poder, o governador sr. Mauro Mendes, pelo que se deduz, resolve sair às ruas para fabricar e divulgar as suas fake news.
Acredito que todo mundo viu no que resultou a fake news que o sr. Mauro Mendes tentou cravar contra A Gazeta e contra os jornalistas e dono de A Gazeta.
O sr. Mauro Mendes, pelo que se viu, mentiu ao dizer que seu filho não era alvo de inquérito da Policia Federal e do Ministério Público Federal, tanto que seu filho, o sr. Luís Antônio Taveira, hoje com o passaporte apreendido, esteve constrangido a ficar em casa, nesse período de férias e, nesse período carnavalesco, está proibido de viajar pelo mundo, para circular e gastar o muito que, aparentemente, vem acumulando como empresário da mineração e das pequenas centrais elétricas, que multiplica e prospera com seus negócios, à sombra do governo estadual exercida pelo próprio pai, tão condescendente para com esse filho “bem dotado”, como deixou evidente reportagem publicada pelo insuspeito jornal O Estado de São Paulo: https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/filho-do-governador-de-mato-grosso-e-dono-de-consorcios-com-empresa-que-ganhou-licitacao-estadual-de-rs-45-milhoes/ (Nesse caso, o repórter Fausto Macedo, do Estadão, repercutiu nacionalmente uma informação apurada em Mato Grosso por Alexandre Aprá e o seu incansável e, queira deus, indestrutível, Issoé Notícia )
A fake news disparada pelo sr. Mauro Mendes contra A Gazeta ficou no ar até novembro, quando o Ministério Público Federal e a Policia Federal acionaram, efetivamente, seus agentes para apurarem os possíveis envolvidos no contrabando de mercúrio ilegal para o Brasil. Entre os investigados, para desespero do sr. Mauro Mendes, de seu advogado o sr. Hélio Nishyiama, de sua família, de seus secretários de Estado e todos seus apoiadores, lá estava o jovem e sempre calado empresário sr. Luís Antônio Taveira, aquele que o sr. Mauro Mendes garantia que não era alvo de investigação nenhuma. Sim, o sr. Mauro Mendes, usando a máquina do Estado, pelo que mostram todas as evidências, mentiu – e o jornal A Gazeta, o empresário Dorileo Leal e os jornalistas desse tradicional veículo de Mato Grosso puderam desabafar em um editorial exemplar, de primeira página, que pode ser relido aqui –
A Gazeta nunca mentiu, bradou A Gazeta em letras garrafais. Quem mentiu, quem espalhou fake news, foi o empresário e governador o sr. Mauro Mendes. Mas A Gazeta, que sempre teve seus negócios em primeiro lugar, mesmo neste editorial bombástico, manteve o tom conciliador, denunciando a fake news do governador truculento, mas sempre mantendo uma porta aberta para, quem sabe, uma reconciliação. A Gazeta, em seu editorial, convidava o sr. Mauro Mendes a fazer uma autocritica, dizer talvez quem sabe que “errei, errei, sim/manchei o seu nome...”, como naquela dolente canção do sambista Ataulfo Alves.
Eu conheço essa gente. Já discordei de A Gazeta, no passado, mas hoje perfilamos na mesma trincheira de enfrentamento das fake news do governador sr. Mauro Mendes. São mais de 35 anos de jornalismo atento, sempre fazendo a abordagem dessas questões espinhosas que a maioria da imprensa submissa de Mato Grosso prefere deixar de lado. Ora, com esse currículo de atividades, não posso aceitar e permitir que o sr. Mauro Mendes pretenda distorcer a realidade dos fatos e me carimbar como produtor de fake news, quando o produtor de fake news tem sido ele, como ficou evidenciado no episódio de A Gazeta e no inquérito do mercúrio ilegal.
Vejam que na sua truculenta iniciativa mentirosa contra A Gazeta, o sr. Mauro Mendes chegou a ajuizar uma ação contra o jornalista Pablo Rodrigo, que escreve para A Gazeta e também é correspondente da Folha de S. Paulo, em Mato Grosso, cobrando desse jornalista assalariado uma pretensa indenização de nada mais nada menos que 600 (seiscentos) mil reais. Eis uma ação que demonstra bem do que é o sr. Mauro Mendes é capaz. Ele é que foi pego na mentira, dizendo que o jornalista Pablo Rodrigo “mentira” e “inventara” um inquérito do MPF e da PF contra o seu pimpolho, o sr. Luís Antônio Taveira, mas, diante da Justiça, foi ao jornalista Pablo Rodrigo que ele acusou de mentiroso, de canalha, de jornalista produtor de fake news, como ele me acusa agora. Então, jornalista ser agredido pelo sr. Mauro Mendes não é uma novidade. E o Judiciário de Mato Grosso vai acolhendo tudo isso com a maior complacência, talvez apenas pelo fato de que o sr. Mauro Mendes é o poderoso de plantão, é o governador da hora, o dono da chave do cofre, o pretenso gestor que repassa a grana do orçamento para financiar as atividades dos demais poderes, os penduricalhos, aqueles acertos todos, etc, etc, como o Lula faz lá em Brasília com o Centrão. E quando aparece o pedido desse governador para que se invada a residência do velho jornalista Enock Cavalcanti, autoridades como o juiz João Bosco parece que não têm em mente esses fatos para os quais todas as autoridades deveriam atentar, e determina, sim, que a casa desse velho jornalista seja invadida, que a velhice desse velho jornalista não seja levada em conta, que os seus anos de experiência e serviços prestados à comunidade sejam desconsiderados, e que a vontade do sr. Mauro Mendes, governador de ocasião, se imponha como se fosse um dos Dez Mandamentos do Pentateuco Sagrado do profeta Moisés. Ó tempora! Ó mores!
Ora, o Poder Judiciário – tendo em vista a exposição tão recente de Mauro Mendes no caso da fake news contra A Gazeta – poderia se comportar de maneira mais atenta, mais civilizada e, no mínimo, acionar os advogados desse blogueiro, para que o ataque do sr. Mauro Mendes contra mim tivesse um menor impacto. Mas, não. A minha residência foi invadida antes das 6 (seis) horas da manhã por 6(seis) agentes da Polícia, meus aparelhos foram apreendidos, e o mandado que me foi exposto, nem sequer explicava porque é que aquilo tudo estava acontecendo. Alguma coisa está muito errada neste roteiro – e é isso que, certamente, com apoio do corpo jurídico do Instituto Vladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, da Federação Nacional dos Jornalistas, da Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos, nós vamos tentar colocar em pratos limpos. A pretensa violência judicial e policial não ficará sem uma resposta, me garante o presidente do meu Sindicato, o jornalista Itamar Perenha, um profissional de caráter, forjado ao longo de uma exemplar militância no Exército brasileiro, do qual saiu como capitão, com vitoriosa atuação no jornalismo profissional e, atualmente, no sindicalismo mato-grossense.
Vejam que o sr. Mauro Mendes produz e distribui fake news contra jornalistas como eu e o Aprá e, na assessoria do governador não há uma voz que se levante para dizer, não!, o velho jornalista Enock Cavalcanti merece respeito! São mais de 100 (jornalistas) trabalhando no Governo do Estado e o silêncio é sepulcral. Ninguém se aproxima do governador para orientá-lo a uma postura menos provocativa diante da categoria profissional dos jornalistas. Não se ouve falar de outros governadores brasileiros que tenham tal postura. Até mesmo o Caiado, ruralista, lá em Goiás, parece que anda respeitando os jornalistas!.. Poucos, como Mauro Mendes, vivem a tentar resgatar os valores do bolsonarismo, na sua guerrilha permanente com o pessoal da imprensa.
Entre os secretários do governador, lá está o sr. Marcelo Padeiro que me conhece há muito tempo e com quem já perfilei, no tempo em que ele argumentava contra a concentração de poder exercida pelo então governador Dante de Oliveira. Filho de um outro sr. Dante, padeiro, outrora instalado ali nas proximidades do antigo Fornão, poderia eu sonhar que o Marcelo Padeiro se levantasse e dissesse ao governador: “Mauro, o Enock Cavalcanti eu conheço!”... Também estive junto com o secretário Gilberto Figueiredo nos tempos em que ele administrava o Colégio Isaac Newton, ele era meu vizinho no Recanto dos Pássaros e sempre tivemos uma boa camaradagem. Gilberto poderia chamar o governador à razão? Bem, parece que o tempo passa e a vida acaba contando histórias sempre iguais. Rogério Gallo, Beto Dois a Um, Allan Kardec, Gustavo Vasconcelos, presidente do Detran, Gabriela Novis Neves, procuradora do Estado, os deputados Max Russi, Janaina Riva... Os nomes vão passando e eu sigo acreditando que a razão deve sempre prevalecer...Mas, certamente, me surpreendeu muito mais ver e saber que o nome do desembargador, o sr. Orlando Perri, desponta nessa denúncia que o sr. Mauro Mendes apresenta contra mim.
Sim, em linhas gerais, o que o sr. Mauro Mendes argumenta (inquérito em anexo) é que posso ter maculado a honra dele e do desembargador sr. Orlando Perri, quando publicamente, em artigos na PAGINA DO ENOCK pedi explicações sobre o envolvimento do sr. Perri nos negócios do ouro, em Mato Grosso, conforme revelado pelos jornalistas do insuspeito saite Repórter Brasil. Um saite que incorpora as lutas de uma série de organizações governamentais engajadas na defesa do Meio Ambiente e dos Direitos Humanos, e que foi o primeiro a falar do desembargador sr. Perri e das investigações que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) passou a desenvolver desde que o sr. Perri, além da atuação no Judiciário, passou a atuar também como empresário de mineração. Para quem não leu esse texto inicial do Repórter Brasil: https://reporterbrasil.org.br/2023/09/socio-de-mineradora-juiz-atuou-em-julgamento-sobre-lei-que-beneficiava-garimpos-no-mt/
Além do Aprá, de mim, das postagens do Popó Pinheiro, a informação divulgada pelo Repórter Brasil foi reproduzida, aqui em Mato Grosso por veículos de informação como Midiajur: https://www.midiajur.com.br/justica/cnj-investiga-desembargador-por-sociedade-em-mineradora-de-mt/52936
Como G1 – Portal de Notícias da Rede Globo: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2023/09/25/desembargador-e-investigado-por-participar-de-julgamento-que-beneficia-o-setor-mineral-de-mt.ghtml
Nem o Midiajur nem o G1 foram relacionados como produtores de fake news. Eu certamente estou sendo assim tragicamente relacionado porque, além de informar sobre o processo contra o sr. Perri no CNJ também exerci meu direito de opinião e escrevi pedidos de esclarecimento ao sr. Perri e ao sr. Mauro Mendes, que são autoridades públicas que devem prestar esclarecimentos dos seus atos aos cidadãos contribuintes e eleitores, que são quem pagam por suas atividades no Governo do Estado e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Esse tipo de cobrança tenho feito a vida toda como jornalista de opinião, analista político, blogueiro, numa atividade que o ministro Celso de Mello já abençoou em muitas de suas decisões no Supremo Tribunal Federal, como Celso de Mello mesmo explica, da seguinte forma:
“A ampla difusão da informação, o exercício irrestrito de criticar e a possibilidade de formular denúncias contra o Poder Público representam expressões essenciais dessa liberdade fundamental, cuja prática não pode ser comprometida por interdições censórias ou por outros artifícios estatais utilizados para coibi-la, pois — cabe sempre insistir — esse direito básico, inerente às formações sociais livres, não constitui concessão estatal, mas representa, sim, um valor inestimável e insuprimivel da cidadania, que tem o direito de receber informações dos meios de comunicação social, a quem se reconhece, igualmente, o direito de buscar informações, de expressar opiniões e de divulgá-las sem qualquer restrição, em um clima de plena liberdade. Sempre assinalei , em meus julgamentos proferidos no Supremo Tribunal Federal, que o conteúdo da "Declaração de Chapultepec" revela-nos que nada é mais nocivo, nada é mais perigoso do que a pretensão do Estado e dos seus agentes de regular a liberdade de expressão (ou de ilegitimamente interferir em seu exercício), pois o pensamento há de ser livre, permanentemente livre, essencialmente livre! Todos sabemos que a liberdade de expressão, cujo fundamento reside no próprio texto da Constituição da República, assegura ao profissional de imprensa — inclusive àquele que pratica o jornalismo digital — o direito de expender crítica, ainda que desfavorável e em tom contundente, contra quaisquer pessoas ou autoridades, garantindo-lhe, também, além de outras prerrogativas, o direito de veicular notícias e de divulgar informações. Ninguém ignora , no contexto de uma sociedade fundada em bases democráticas, que se mostra intolerável a repressão estatal ao pensamento, ainda mais quando a crítica e a circulação de notícias revelem-se inspiradas pelo interesse coletivo e decorram da prática legítima de uma liberdade pública de extração eminentemente constitucional" (CF, artigo 5º, IV, c/c o art. 220).
Ora, tenho orgulho de ter escrito os artigos que escrevi e de ter cobrado as explicações que cobrei. Depois da revelação feita pelo Repórter Brasil e do procedimento adotado pela Conselho Nacional de Justiça, cobrei atitude do sr. Mauro Mendes e do sr. Orlando Perri, em meus artigos, nos seguintes termos: “O Poder Judiciário se mantém como um dos maiores desafios da frágil democracia brasileira e a gente percebe isso quando, em um mesmo final de semana, tem o voto civilizatório da ministra Rosa Weber, no STF, pela descriminalização do aborto e, numa outra ponta, a informação de que o desembargador Orlando de Almeida Perri, que sempre despontou como magistrado linha dura e moralizador do nosso Judiciário pantaneiro, agora pode estar fazendo parceria com Mauro Mendes, Nei Garimpeiro, Filadelfo dos Reis Dias, Silval Barbosa e outros que tais, como catador de ouro em terras deste sempre confuso Mato Grosso.” (...) “Ora, é da confiabilidade de um dos sagrado poderes de nossa República de que se trata aqui. Dia desses, víamos o desembargador Perri, em tom moralizador, determinar pesada intervenção no setor de Saúde da cidade de Cuiabá, atendendo a reivindicação do governador Mauro Mendes e de seus pares, para que se esclarecesse todas as possíveis maracutaias a marcar a gestão do prefeito Emanuel Pinheiro, na Prefeitura, Agora, o que se cogita a partir das revelações jornalísticas do Repórter Brasil, é que Orlando Perri e Mauro Mendes possam estar ajojados, imbricados na exploração dos ricos filões minerais em Mato Grosso, chegando esse imbricamento, quem sabe, aos negócios do Estado. “Deus que nos livre e guarde!” – dirá quem ainda acha jeito de acreditar em um deus a monitorar o comportamento humano.”
https://paginapublica.com.br/o-melhor-detergente-e-a-luz-do-sol/enock-cavalcanti-o-seu-envolvimento-com-a-mineracao-tao-habilmente-exposto-pelo-reporter-brasil-reclama-do-desembargador-orlando-perri-que-demonstre-a-altivez-que-sempre-demonstrou-em-diversas-outr/
Essa cobrança que fiz, procurando exercer minhas responsabilidades de jornalista, procurando seguir o mais fielmente possível a orientação do mestre ainda vivíssimo Celso de Mello, cobrança sobre a atuação de autoridades públicas de Mato Grosso, para o sr. Mauro Mendes, no entanto, estranhamente, é uma fake news. E com base neste entendimento torto, ele acionou seu advogado predileto, o advogado Helio Nishiyama, para iniciar uma espécie de caçada humana, à minha cabeça, à cabeça do Alexandre Aprá e à cabeça do Popó Pinheiro.
E o sr. Mauro Mendes foi depor diante de um delegado da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos e disse que quer me processar, processar o Aprá, processar o Popó. Ao invés de apresentar publicamente os esclarecimentos cobrados, o que veio foi a ameaça judicial. O delegado que o ouviu, pelo que entendi, não atuou como uma autoridade independente que deveria ser. Poderia esse senhor delegado ter dito: “Senhor governador, estamos diante da opinião que jornalistas, jornalistas com uma longa atividade em Mato Grosso, que nada mais fazem do que exercer suas responsabilidades de jornalistas”. Mas não, o delegado aparentemente não replicou a intenção do governador, tocou pra diante. E assim, de igual modo, pouco depois, fez o juiz de direito sr. João Bosco. Toca pra diante a busca e apreensão, toca pra diante o possível processo, e quem sabe, mais adiante, a prisão desses senhores jornalistas, porque, aparentemente ele desagradaram ao sr. Mauro Mendes e ao desembargador sr. Orlando Perri.
Eles dizem que tentei achincalhar suas honras. Eu digo que procurei aprofundar a busca de informações, no interesse da coletividade, e atendendo às normas da Legislação.
O que ele tentam fazer valer como verdade é que nós três, eu, o Aprá, e o Popó, ousamos ler uma notícia do Repórter Brasil, ousamos tomar conhecimento de um procedimento aberto contra um desembargador pelo CNJ – e ousamos opinar, levar mais adiante uma análise do fato, talvez inspirados pelas lições de liberdade que temos colhido, ao longo de nossas vidas, de mestres como o ministro Celso de Mello, do jurista poeta mato-grossense Silva Freire, o aclamado e já falecido juiz federal mato-grossense Clóvis de Mello, e tantos outros jurisconsultos que sempre colocaram em relevância a liberdade de imprensa, a liberdade de opinião, o direito do cidadão de ser bem informado sobre tudo e sobre todos.
Eu conheço essa gente. Falo de minha surpresa de ter o desembargador Orlando Perri talvez pelejando contra mim, talvez de braços dados com o governador sr. Mauro Mendes, porque, em outros tempos, eu e o sr. Perri estivemos juntos, aqui mesmo em Cuiabá, em pelejas históricas. O afastamento dos magistrados mato-grossenses que foram identificados pelo mesmo CNJ que agora investiga o desembargador Perri, por exemplo, como juízes corruptos. Corria o ano de 2010.
Nunca se puniu e aposentou compulsoriamente em nosso País tantos magistrados como naquele processo conduzido pelo sr. Perri quando era corregedor de Justiça, tendo o desembargador Paulo Lessa como presidente do TJ-MT. Que dupla dinâmica. O desembargador Paulo Lessa, até aqui, tem preservado seu legado. Como jornalista, blogueiro e militante da Ong Moral atuávamos como parceiros da corregedoria de Justiça nesse processo de pretensa depuração da magistratura mato-grossense. Lembro que quando chegou a hora da denúncia contra os magistrados envolvidos no Escândalo da Maçonaria entrar na pauta de julgamento do CNJ, os dois lados correram para Brasília. O grupo dos juízes processados, de um lado, e ativistas de entidades como a Ong Moral, do outro, procurando representar os interesses da sociedade.
Quando faltou dinheiro para completar a compra das passagens de avião para que o povo da Ong Moral fosse para Brasília, percorrer os corredores do CNJ, e conversar com os conselheiros, o próprio corregedor o desembargador sr. Orlando Perri compareceu com algum dinheiro em espécie, tirado do próprio bolso, para cobrir parte dos custos das passagens do Gauchinho Gilmar Bruneto, do advogado Cláudio Fim e tal e tal. E quem foi ao apartamento do desembargador sr. Perri buscar esse dinheiro para inteirar a compra dos bilhetes?! Ora, justamente o jornalista Alexandre Aprá, com maior folga em sua agenda, também participando do pretenso esforço moralizador, que a união faz a força. Vivíamos então uma espécie de mutirão da Cidadania. A vaquinha entre as pessoas de interesses comuns funcionavam. (Claro que, depois, se viu que os processos contra os magistrados então punidos tiveram erros formais, e recentemente começaram todos eles a retomarem as suas funções.)
São fatos que relembro para mostrar como estivemos juntos. Agora alguém especula e me diz que o desembargador sr. Perri parece entender que os textos e as publicações que fizemos sobre o desembargador garimpeiro seria parte de uma trama articulada pelo sr. Popó Pinheiro, tendo eu, o Enock e o Aprá como seu bate-paus, com interesse simplesmente de botar uma pedra no caminho do sr. Mauro Mendes e do próprio sr. Perri. Ora, tenha a santa paciência!
Repeli, evidentemente, esta especulação. Difícil acreditar que o desembargador sr. Orlando Perri, depois que expandiu seus interesses econômicos e passou a atuar na área da mineração, tenha se transformado num pensador tacanho, como se tudo na política e no jornalismo de Mato Grosso fizesse parte de um roteiro de teoria da conspiração. A respeitável trajetória do desembargador sr. Perri, até aqui, não pode e não deve permitir este tipo de derrapada. Ao longo desse processo, vamos verificar todos estes fatos. Desde já, revelo minha surpresa ao saber que, ao invés de publicar com destaque nos jornais e saites a defesa que apresentou perante o Conselho Nacional de Justiça sobre os questionamentos quanto ao seu envolvimento com a garimpagem, o desembargador sr. Perri foi ao CNJ pedir que tudo fosse lançado sob segredo de Justiça. Ora, pra que tanto segredo? O desembargador confirma isso? Quando é que ele vai publicar nas redes o inteiro teor de suas justificativas, esclarecer essa aventada proximidade que ele passou a ter com esse personagem do noticiário policial que é o sr. Nei Garimpeiro?!
Em meus artigos, que agora o sr. Mauro Mendes, aquele Mauro Mendes da fake news contra A Gazeta, procura carimbar como noticia falsa, era justamente isso que eu cobrava, não apenas porque eu gostaria de saber, mas porque todos os cidadãos conscientes de Mato Grosso, certamente, gostariam de saber o que houve, o que mudou ao longo dos tempos, ao ponto do desembargador sr. Perri, que, no passado, investigava a Grampolândia Pantaneira, de Zé Pedro e Paulo Taques, agora tem seu nome citado neste lastimável episódio da ação da Policia Judiciaria Civil de Mato Grosso, instrumentalizada pelo governador de ocasião, invadindo a residência das pessoas, na madrugada turva, para investigar pretensos planos diabólicos do sr. Popó Pinheiro, do sr. Alexandre Aprá, do sr. Enock Cavalcanti, que somos todos nós, pobres criaturas desses pobres tempos mato-grossenses.
Não digo que esse caso seja simples de desvendar. Essa disputa deve se arrastar por muitos dias, talvez semanas e meses. Mas procuro colocar tudo em pratos limpos, entendendo que o cidadão, a cidadã leitora, eleitora, contribuinte, precisa ter o maior número de dados possível para melhor se posicionar diante de uma realidade marcada por tantos conflitos, diante dos tais meandros do poder. Gosto daquela história que mostra o revolucionário russo Lenine a dizer que a nação estará em paz quando os negócios do Estado puderem ser entendidos e explicados por qualquer cozinheira às suas amigas, numa roda, na cozinha do restaurante.
Não basta eu dizer que o sr. Mauro Mendes é um produtor de fake news. Tenho que provar isso, com dados robustos. Espero que meus advogados e eu mesmo tenhamos os melhores argumentos. No sentido contrário, a mesma coisa. Os dados estão lançados. Evidentemente que é uma briga desigual, com o governador contando com praticamente toda a estrutura e toda máquina do Estado trabalhando a seu favor.
Mas que não se diga que Enock Cavalcanti se curvou. Não se diga que Enock Cavalcanti não lutou com todas suas forças na busca da verdade.
Fiquei velho, fiquei mais fraco, fiquei mais cansado e escrever um texto desses me dá um puta cansaço. Mas o que tem que ser feito tem que ser feito. Agradeço a solidariedade de quem puder ser solidário comigo nesta peleja.
ENOCK CAVALCANTI, 70, é jornalista e advogado, editor do blogue PAGINA DO ENOCK, editado a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.
