O atual governador de Mato Grosso, o empresário Mauro Mendes, de viés bolsonarista, deve se afastar do governo, nos próximos dias, governo que será então entregue ao seu vice, o ruralista Otaviano Pivetta, outro bolsonarista, enquanto ele, MM, deve fazer campanha para senador da República, pelo União Brasil.Sonhando com uma vida de delícias em Brasília, onde tantos se refestelam curtindo a “representação popular”, a esposa de Mauro, a socialite dona Virginia Mendes, se a saúde lhe permitir e não tiver novas recaídas, deve também disputar a eleição, buscando uma vaga de deputada federal. Ela e Mauro vão tentar montar um SER FAMILIA, versão Distrito Federal, bancado, sempre pelos recursos públicos.Se os patriotários comprarem estas campanhas, Mauro e Virginia desfilarão por Brasilia, a partir de 2027, como um dos casais mais poderosos do Brasil, representando esse rico fazendão que o Agro mantém em Mato Grosso, exportando soja para alimentar porcos, vacas e galinhas da Ásia, da Europa e dos Estados Unidos. O fazendão MT também ceva, há alguns anos, alguns galinhos da política.Contra esta pretensão do Mauro,todavia, já se ergueu o chamado Movimento Sindical Unificado de Mato Grosso, composto por sindicalistas que não rezam pela cartilha do governador e que já estão divulgando vídeos na grande rede da internet, condenando a candidatura do governador que alguns sindicalistas tratam de "governador Brucutu" - já que frustrou as demandas dos sindicatos, notadamente no que se refere ao pagamento de reajustes salariais às mais diversas categorias. Exceção dos membros da PGE e Sefaz que, segundo o Antônio Wagner, nadam de braçada.A expectativa dos sindicalistas é fazer com que MM repita a performance macabra do então governador tucano Dante de Oliveira, que, no início da século 21, ao lado do seu então secretário e bate pau Antero Paes De Barros Neto, também passou à História como um governante que arrochou e prejudicou fortemente a vida e as carreiras dos servidores públicos de Mato Grosso. Só que acabou detonado.Dante, o Mito mato-grossense, incensado por historiadores complacentes, governou Mato Grosso durante 8 anos, com forte apoio do governo #Sarney, e tentou depois se eleger senador mas acabou derrotado fragorosamente nas urnas, vindo a morrer alguns anos depois, em uma inesperada crise de diabetes. Dante que se sonhara até presidente da República, acabou como um cadáver precoce.Quem conta a história de Dante, geralmente capricha na lembrança das Diretas Já, esquecendo-se que o antigo guerrilheiro do MR-8 - Movimento Revolucionário 8 de Outubro, uma vez alçado ao poder no fazendão de Mato Grosso, pulou pro lado da burguesia, e se empenhou em moldar o Estado para a explosão do Agro, reduzindo o tamanho da máquina pública, cortando milhares de empregos públicos, privatizando o banco estatal e uma série de empresas, para tornar mais leve, para os agroboys que viriam a seguir, a gestão do fazendão, voltada desde então, basicamente, para garantir e multiplicar a renda dos ruralistas, mesmo que à custa de afinar o “mato antes grosso” e avançar com a destruição do Meio Ambiente a níveis até então inimagináveis, tanto que hoje alguns cientistas já aventam até uma possível desertificação do Pantanal.Sim, Dante foi um carrasco cruel dos servidores e abriu as porteiras para que o Agro transformasse MT no seu grande pasto de commodities e dólares. Nem nos Estados Unidos e na Europa se viu coisa igual.Nesse ano de 2026, lembrando do que foi possível fazer contra o gestor malvadão tucano no ínício do século, servidores de Mato Grosso trabalham para que a maldição que se abateu sobre o antigo guerrilheiro Dante, convertido depois ao neoliberalismo, parceirão de Antero, levando-o até à morte, se abata também sobre Mauro Mendes. Curioso é que, este ano, Antero é um dos que também trabalham para detonar MM tal qual Dante foi detonado.Evidentemente que o cenário não é tal e qual o cenário em que Dante acabou sendo levado ao fim. O próprio movimento sindical dito unificado não é tão unificado assim, com o principal dos sindicatos mato-grossenses, o Sintep, dos trabalhadores da Educação, se rebelando contra o comando da Federação dos Servidores Públicos, e se abraçando com um dos braços do Agro, que é aquele comandado pelo PSD do ruralista Carlos Fávaro, títere da familia Maggi, a mesma familia Maggi que também abençoa o Mauro Mendes. Dá pra entender? É bem Mato Grosso!Por outro lado, e para surpresa geral, o candidato mais direto do bolsonarismo ao Governo de Mato Grosso, o senador transformista Wellington Fagundes, inverte a cartilha da direita e já fala em garantir para os servidores públicos todos aqueles direitos trabalhistas e sociais que Mauro Mendes lhes negou ao longo de 8 anos. “Eu vou pagar o atrasado do RGA e manter o pagamento do reajuste anualmente em dia”, garante Wellington que agora aparece em cena com cabelos espevitados à moda punk, como um inacreditável personagem dos comics do quadrinista Angeli.Surgindo atabalhoadamente à direita, mas garantindo que está também à esquerda, a médica Natasha Slhessarenko - filha de Serys Slhessarenko, a professorinha que acabou senadora no lugar do natimorto Dante - ensaia uma guerrilha feminista contra o ruralista Otaviano Pivetta, tentando provar, sim, que Pivetta, mais que um produtor rural de sucesso, seria um espancador de mulheres. As eleições se aproximam e flertando com os servidores, também surge o zumbi José Pedro Taques, escorraçado no passado como um gestor que também trabalhou fortemente, ao lado do seu primo Paulo Taques, pelo desmonte do serviço público - mas que agora tenta sua ressurreição, fazendo do combate à corrupção estatal, o mote de sua campanha, que mira a testa do governador Mauro Mendes e denuncia o uso da máquina pública para encher os cofres não só da família do próprio governador Mauro e seu filho Luizinho, como também de seus parceiros empresariais e apaniguados políticos, tais como o deputado federal e chefe da Casa Civil Fábio Garcia e seu pai, o Berinho Garcia.A campanha eleitoral nem começou - e o deputado estadual Wilson Santos, um transformista que se comporta sempre como uma verdadeira metamorfose ambulante, já prevê que ela, a campanha, será marcada por muito sangue, suor e lágrimas.Só me resta torcer para que neste altar de sacrifícios que tende a se transformar a disputa eleitoral, quem mesmo chore e esperneie seja o povo pobre deste Estado, ao qual sempre cabe, neste Mato Grosso, o papel de bode expiatório. Por piedade, ó Senhor dos Exércitos!ENOCK CAVALCANTI, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que se edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.Mauro Mendes, atual governador e Dante de Oliveira ex-governador de Mato Grosso