O poeta maranhense Ferreira Gullar recita o seu clássico e um dos mais aplaudidos poemas: "Traduzir-se": "Uma parte de mimé todo mundo;outra parte é ninguém:fundo sem fundo.Uma parte de mimé multidão:outra parte estranhezae solidão."Ferreira Gullar (1930–2016), pseudônimo de José Ribamar Ferreira, foi um dos maiores poetas, críticos de arte e ensaístas brasileiros. Nascido no Maranhão, destacou-se pela vanguarda artística (Neoconcretismo), forte militância política, exílio durante a ditadura militar e a criação da obra-prima "Poema Sujo". Foi imortal da Academia Brasileira de Letras. Gullar começou no jornalismo cedo. Em 1954, lançou A Luta Corporal, marcando sua presença na poesia de vanguarda. Foi um dos fundadores do movimento neoconcretista. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Participou ativamente do Centro Popular de Cultura (CPC), buscando aproximar a arte da realidade social.Devido à perseguição pela ditadura militar, exilou-se na URSS, Chile e, principalmente, Argentina. Lá, em 1975, escreveu o aclamado e extenso "Poema Sujo", um testemunho de resistência. Após seu retorno ao Brasil, consolidou sua carreira com obras como Na Vertigem do Dia (1980) e Muitas Vozes (1999). Recebeu o Prêmio Camões em 2010 e foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014. Gullar faleceu em 2016, no Rio de Janeiro, deixando um vasto legado que une lirismo, crítica social e angústia existencial.
A poesia do comunista Ferreira Gullar
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