UM GOVERNADOR GAY: Eduardo Leite toma posse no Rio Grande do Sul acompanhado do namorado Thalis Bolzan  e rebate ataques homofóbicos em discurso. VEJA VIDEO

· 3 minutos de leitura

[video width="640" height="360" mp4="https://paginapublica.com.br/content/images/2023/01/Governador-Eduardo-Leite-chegou-a-posse-ao-lado-do-namorado-O-RS-nao-tem-uma-primeira-.mp4"][/video]

Eduardo Leite (PSDB) tomou posse como governador do Rio Grande do Sul neste domingo, 1.º, no Palácio Piratini, acompanhado do namorado, o médico capixaba Thalis Bolzan. Em seu discurso, ele agradeceu pelo apoio do companheiro e fez referência aos ataques homofóbicos que sofreu durante a campanha.“O Rio Grande do Sul não tem uma primeira-dama, mas tem uma pessoa que é de verdade. Podem ter certeza”, disse Leite, ao que foi aplaudido de pé.A fala do governador foi uma referência ao ataque feito pelo ex-ministro e adversário no segundo turno Onyx Lorenzoni (PSL) em uma propaganda de rádio na qual dizia que, caso fosse eleito, o Rio Grande do Sul teria “uma primeira-dama de verdade”. A declaração do então candidato impulsionou uma onda de homofobia da sua base contra Leite nas redes sociais.Neste domingo, Leite destacou em seu discurso a atuação do namorado. “Além de amor, tenho respeito e admiração pelo ser humano que é, pelo profissional da saúde que é, dedicado às crianças com câncer, com doenças especiais, em especial aquelas com nanismo e problemas de crescimento. Obrigado por me acompanhar nesta jornada e por me entender”, disse o governador.No ano passado, Leite renunciou ao cargo para tentar ser candidato à Presidência, mas não conseguiu e, então, disputou o governo do Rio Grande do Sul novamente. Ele disse que a sua vitória nas urnas foi uma demonstração de que o eleitorado gaúcho entendeu “que a vida pessoal, no fim das contas, é sobre amor”.“Isso não foi um assunto na campanha. Quando tentaram fazer disso um assunto, houve repúdio da população. E o que importa é o sentimento que a gente carrega dentro de cada um de nós. E o meu é de muito amor pelo Thalis e pelo povo do Rio Grande do Sul”, disse.Leite é o primeiro governador a se declarar gay. O governador falou sobre a sua orientação sexual durante entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo. Desde então, ele tem dito que é “um governador gay e não um gay governador” para frisar que a sexualidade não interfere em sua atuação política.“Nesses tempos tão difíceis, onde tentam a todo custo nos separar uns dos outros, é motivador ver a sociedade e a opinião pública majoritariamente unidas para condenar demonstrações de homofobia”, afirmou.O GOVERNADOR E O FUTUROCivilidade, diálogo, tolerância, serenidade, respeito e colaboração foram algumas das palavras usadas por Eduardo Leite ao longo de sua fala. No início, ele relembrou seu primeiro mandato e chegou a citar um trecho do discurso feito ao tomar posse em 2019, que na sua opinião permanece atual. O parágrafo repetido destacava “romper com velhos modelos” e “construir um novo futuro”. Leite defendeu que sua gestão encurtou o caminho para chegar a esse “futuro promissor” para o Estado.Em uma espécie de inventário do primeiro mandato, Leite chamou a atenção para algumas ações de seus primeiros quatro anos no Piratini: “colocamos o salário do funcionalismo em dia, realizamos concursos, concedemos revisão geral dos reajustes, pagamos dívidas históricas junto a fornecedores, com destaque para a saúde, conquistamos o equilíbrio fiscal, retomamos investimento em cultura com recursos próprios, em contraponto a um cenário nacional de ataque à cultura”. Projetos mais polêmicos, como o novo código ambiental, alvo de inúmeras críticas de ambientalistas, e o programa de privatizações, que entregou à iniciativa privada as empresas de energia e saneamento do Estado, também foram mencionados pelo governador, que os avalia sob uma perspectiva de “saúde fiscal”.Apesar do tom diplomático, em alguns momentos, Leite fez menção às consequências do governo Bolsonaro. Ao lembrar que seu mandato enfrentou duas estiagens e uma pandemia, Leite destacou que seu governo respeitou a ciência, mas precisou lidar com o negacionismo e a desinformação e disse que muitas perdas poderiam ter sido evitadas “se houvesse maior compreensão de outras lideranças”. Ele aproveitou o momento para homenagear os mortos pela covid no Estado e para reafirmar: “mantenhamos nossa vigilância e a certeza de que o respeito à ciência é fundamental para o cumprimento do nosso dever como agentes públicos”.Ao projetar seu próximo mandato, Leite destacou aquelas que nas palavras dele serão “prioridades” do governo:– melhorar a qualidade da educação e do aprendizado;– fazer com que o RS se consolide como polo nacional de qualidade no atendimento à saúde;– combater a pobreza, especialmente a pobreza infantil, com ações de assistência e renda;– investir no desenvolvimento econômico: incentivo ao agronegócio e à agricultura familiar com programa de irrigação e crescimento com inovação, apostando na transição energética e na sustentabilidade;– fomentar o empreendedorismo, com destaque para a inovação e a diversidade.Já no final de sua fala, Leite destacou o resultado das urnas e a importância de respeitá-lo: “Hoje, os eleitos assumem e os não eleitos devem se organizar para exercer a oposição, é assim a democracia”. Defendendo sua eleição como “uma vitória do centro democrático”, prometeu uma relação “saudável e madura” com o presidente Lula, que também assume hoje, em Brasília. Mencionando os “compromissos civilizatórios” de seu novo mandato, observou que “o amor e a liberdade são alicerces poderosos sobre os quais iremos construir o Rio Grande que desejamos”.COM INFORMAÇÕES DO ESTADAO E SUL 21