GILSON ROMEU E HELENA BORTOLO: A nefasta herança de destruição de Bolsonaro, por meio da sua política de contrarreformas neoliberais, não tem precedentes na história deste País

· 2 minutos de leitura
AMANHÃ VAI SER OUTRO DIAPor Gilson Romeu e Helena Bortolo"Eu vim para desconstruir”, reiterou o extremado direitista Jair Messias Bolsonaro nos primeiros meses do ano de 2019, logo após a sua posse na presidência. Não foram meras palavras ocas ou simples fraseologia. A sua locução expressou uma intencionalidade que se materializou de forma implacável nestes mil dias de edificação do seu esdrúxulo Reich caboclo, cá abaixo da linha do Equador.A nefasta herança de destruição de Bolsonaro, por meio da sua política de contrarreformas neoliberais, não tem precedentes na história deste país: reajustes do salário mínimo abaixo da inflação, 15 milhões de desempregados, 19 milhões de famintos, que se revezam cotidianamente nas quilométricas filas do osso, inflação acima de 10%, gasolina a R$7,00, gás em torno de R$130,00, devastação dos biomas das florestas e parques ambientais, cortes das verbas destinadas à educação pública, incontáveis tentativas de solapar os pilares das instituições democráticas da república e mais de 600 mil mortes ceifadas pela Covid-19, que devem ser creditadas ao boicote do criptofacista às medidas sanitárias de biossegurança.A reforma previdenciária aprovada no segundo ano do mandato do "presidente" produziu um corte de mais de R$800 bilhões em direitos dos trabalhadores sob a forma de redução dos valores de benefícios, ampliação do tempo de contribuição e inviabilização do acesso à aposentadoria.O mundo do trabalho também foi impactado negativamente com a implantação da carteira verde-amarela, que permite que o patrão se desobrigue de suas contribuições previdenciárias e trabalhistas, reduza salários e período de férias.Há mil dias no poder, Bolsonaro coleciona mentiras e casos de violações aos direitos humanos.De acordo com o jornalista Leonardo Sakamoto, "até aqui o legado bolsonarista é um Brasil mais pobre, mais faminto, mais desesperançoso".Todo esse descontexto sociopolítico e econômico tem dificultado a luta de resistência dos trabalhadores pela reconquista de direitos e pela valorização salarial, materializadas num total desequilíbrio entre sindicatos e patrões.Todavia, o medievo obscurantismo bolsonarista não tem conseguido sufocar o grito dos trabalhadores por liberdade e justiça que sempre ecoou nos rincões desta pátria amada brasilis, mesmo nos períodos mais duros da autocracia, conforme nos mostra o poema "Faz escuro mas eu canto", do amazônida Thiago de Mello, composto nos idos anos de chumbo da década de 60, mas ainda hoje modernamente contemporâneo e categórico para referenciar a nossa luta.Faz escuro mas eu canto, porque amanhã vai chegar. Vem ver comigo companheiro, a cor do mundo mudar. Vale a pena não dormir para esperar. ---------------- Gilson Romeu e Helena Bortolo são professores aposentados e diretores do Sintep Subsede de Cuiabá