GABRIEL NOVIS NEVES: Esconderam a Praça Alencastro e a sua linda fonte luminosa, construindo um terminal de ônibus. Recentemente, foi a vez do campus da nossa jovem universidade federal, no Coxipó, receber o castigo de um elevado para o VLT, que a escond

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A mania de esconder nossas belezasPOR GABRIEL NOVIS NEVESNossos administradores públicos têm a mania de esconder as nossas belezas naturais e arquitetônicas.Na universidade, sempre alertava alunos e professores dizendo que nós éramos técnicos sem poder de decisão, exclusividade dos políticos.Poucos ouvem os técnicos, e o resultado é o que está aí.Esconderam a Praça Alencastro e a sua linda fonte luminosa, construindo um terminal de ônibus.Quem passa de automóvel não vê mais o primeiro jardim público da cidade, cheio de histórias.A Praça Bispo Dom José, com o seu centenário gasômetro ficou invisível com a construção de outro terminal de ônibus.A Praça Ipiranga, entre a rua 13 de Junho e a avenida da Prainha, mesmo embelezada com o Coreto e Chafariz da antiga Praça da República, foi premiada também com um terminal de ônibus.Recentemente, foi a vez do campus da nossa jovem universidade federal, no Coxipó, receber o castigo de um elevado para o VLT, que a escondeu completamente.O histórico Morro da Prainha, ou da Luz, quem percorre a extensa avenida Ten. Coronel Duarte não sabe onde fica, pois prédios foram construídos e o esconderam totalmente o verde do Centro Histórico de Cuiabá.Todas essas alterações foram recebidas pela nossa cuiabania e seus mais diferentes grupos sem nenhum protesto, num inconformismo que chega a nos incomodar.Onde estão os nossos arquitetos, urbanistas, historiadores e homens públicos desta cidade?Acredito que essas maldades não foram aprovadas pelos nossos técnicos, sendo essas transfigurações da responsabilidade dos nossos governantes.Recentemente, foi a vez do campus da nossa jovem universidade federal, no Coxipó, receber o castigo de um elevado para o VLT, que a escondeu completamenteInteressante que, de boca em boca, todos reclamam dessa mania, e continuamos a eleger sempre os mesmos para continuarem à frente dos nossos destinos.Até os primeiros blocos de ensino construídos na nossa universidade foram “envelopados” escondendo, por exemplo, o local onde funcionou a primeira reitoria.Essa sala merecia, pelo menos uma pequena placa de bronze indicando esse fato de ocupação histórica aos nossos alunos, professores, historiadores, pesquisadores, para demonstrar o perfil social do seu 1º reitor.Só o teatro e a biblioteca central, inacabada há quarenta anos, que parece que “virou logomarca” da UF, são impossíveis de serem escondidos ou desaparecerem do campus.Onde estão a Oca, Casa da Flauta que compunham o original Museu Rondon ou Zoológico, o único construído num campus no Brasil?Temos que valorizar o passado com seu acertos e desacertos, por fazerem parte da nossa recente história, de pouco mais de meio século, no caso da universidade federal.GABRIEL NOVIS NEVES é médico e professor aposentado em Cuiabá e ex-reitor da UFMT.