EDMUNDO ARRUDA JR: Guerra militar? Não. Guerra de controle do capitalismo mundial

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Guerra militar? Não. Guerra de controle do capitalismo mundial* POR EDMUNDO ARRUDA JR

Guerra não sai - são  seis (6)mil ogivas nucleares...Mas, após a pandemia contemplamos, pasmos, mais um derradeiro golpe na retórica direita esquerda, ampliando a confusão semântica e social, o que por sua vez prorroga a asfixia da democracia liberal de forma geral.

Vejam o leque de apoios a Putin, confundindo ainda mais a esquerda tradicionalista, e a direita constitucional. Maduro com Putin todo feliz, seguindo outro ditador, no caso hereditário -Al Assad (seguindo a Coreia, e de alguma forma, Cuba). Trump e Bozzo flertando com o lider russo, Volodymyr Zelensky, um comediante que encenava e continua a encenar ser presidente da Ucrânia. E o Ocidente se "une" ao palhaço chamado Biden, superando outro, o presidente da Ucrânia. Mesmo de forma acanhada, querem uma resposta enérgica, se possível "militar" (igual posição tem o Gal. Mourão) da parte da Otan. Mas, acovardados, ou sábios, não ousam apostar. Jogo de blefes? Difícil mensurar os interesses em disputa, de grupos econômicos, étnicos, políticos, geopolíticos. Ideolológicos? Não mesmo. À era da guerra fria entre mundo livre do capitalismo e mundo acorrentado dos socialismos reais sucede uma síntese esdrúxula, o mundo acorrentado de um capitalismo único, sem democracia. Uma guerra quente que marcará o século XXI. E o pior. A questão imediata nessa sinuca sem bicos é:  quais os critérios para mais um voto de confiança na luta por um estado de direito supranacional, pela defesa dos garantismos nacionais, se eles, 250 anos após, tornaram-se desmoralizados? Dela decorre outra, contrangedora: com que critérios pragmáticos morais recusar a reindustrialização do mundo sob a força hegemônica da vez, a China,  avalizada politicamente pela realpolitik da Rússia. Afinal, é uma opção como sedutora alternativa  garantida de  reordenação do mundo em padrões autoritários, bem entendido,  com mais distribuição de renda e reequilíbrio outro da ordem financeira global? De um modo geral o déficit de modernidade chegou a uma exaustão. Não tenham dúvidas, tudo indica mais fraturas no nosso imaginário cotidiano (senso comum que organiza o Conum) já esquartejado. Lula poderá ficar com a ONU e Biden, Bozzo com os outros, ou não. No tabuleiro internacional Putin vai virar de ponta cabeça as relações políticas, comerciais e ideológicas, eliminando de vez a potencialidade da dicotomia esquerda/direita . Somente Maduro vai insistir e acreditar estar do lado certo da história, em nome da fidelidade canina ao igualitarismo de Bolivar, Chávez e Fidel. Tudo lógico. Óbvio e ululante. A dupla China e Rússia precisa de muitos peões (e comediantes) nesse tabuleiro da nova ordem. A Argentina, o Chile, muitos outros na periferia, também vão ser comprados na mesma toada das sereias da redenção. Acho que Lula irá por aí também. E um dia a Amazônia, enfim, será dos orientais, sob a guinada ambientalista Zen, afinal, Mao Tse Tung  sempre valorizou o budismo, não é mesmo?EDMUNDO LIMA DE ARRUDA JR é cuiabano, jurista, sociólogo, professor titular aposentado da UFSC.
Edmundo