ECONOMISTA RENATO GORSKI:  A Ameaça Russa à Ucrânia, à OTAN e aos Estados Unidos

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 A Ameaça Russa à Ucrânia, à OTAN e aos EUA Por Renato Gorski    O antigo império Russo foi um Estado que existiu desde 1721 até que foi derrubado pela Revolução de Fevereiro em 1917 com a queda de Nicolau II. No seu auge, o Império Russo incluía, além do território russo atual, os estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), a Finlândia, Cáucaso, Ucrânia, Bielorrússia, boa parte da Polônia (antigo Reino da Polônia), Moldávia (Bessarábia) e quase toda a Ásia Central. Também contava com zonas de influência no Irã, Mongólia e norte da China. Em 1914, o Império Russo estava dividido em 81 províncias (guberniias) e vinte regiões (oblasts). Vassalos e protetorados do império incluíam os canatos de Khiva e Bukhara e, depois de 1914, Tuva. Possuía uma extensa área em  1866 de 22 800 000 km2  e em 1916 de 21 799 825 km2   era mais do que o dobro do tamanho do atual EUA e a Rússia atualmente tem 17.098.246 km², o que significa que possui um amplo território.    O acidente nuclear de 26 de abril de 1986, com o reator atômico da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, rendeu ao governo de Gorbachev transtornos incalculáveis, além de revelar ao mundo a obsolescência tecnológica soviética. A Rússia em sua aventura comunista depois da Segunda Guerra Mundial, como  a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas URSS, perdurou até 1991, quando o sistema implodiu e os pessoas declararam a sua independência à URSS. A Polônia embora tivesse uma pequena fronteira com a Rússia não fez parte da URSS, mas era dependente do comando e das regras soviéticas. Com o enfraquecimento do sistema, a Polônia obteve a sua independência em 1989 e buscou firmar parcerias com a Europa Ocidental, abandonou o aprendizado do idioma russo e as novas gerações a partir de 1980 buscaram aprender a falar inglês.     A Ucrânia esteve tanto no domínio do império Russo e da URSS. A Ucrânia e os seus países vizinhos: Lituânia, a Letônia e a Estônia tiveram a sua independência subjugada pelos russos por longo tempo e também interferiram na Polônia. Ou seja, na prática, eles não querem saber de domínio russo sobre eles.     Atualmente os EUA ainda continua sendo a maior potência mundial quando o assunto é PIB, dispõem de um ótimo arsenal bélico, terras agricultáveis, diversificação na produção e tecnologia. Dependente da importação de petróleo. O PIB atual está na casa dos USD 19,39 trilhões, a China vem atrás com USD 12,24 trilhões e a Rússia com USD 1,7 trilhão.   Mas a Rússia detém um expressivo poderio militar, água, ar e terra e tem um poderio superior às forças cedidas pelos países da OTAN na Europa. Todos os países da OTAN são militarmente superiores à Rússia, mas só a OTAN, isolada, é inferior.   Enfim, os EUA é líder no PIB e tem um pujante poderio bélico. Esses novos mísseis supersônicos que a Rússia e a China possuem são armas preocupantes para os Americanos.  Conforme análise do Banco Santander, após alguns anos de crescimento negativo - devido a uma assombrosa fuga de capitais, ao colapso do rublo, à queda dos preços do petróleo e às sanções comerciais ocidentais, que ocorreram no seguimento da crise ucraniana -, a economia russa retomou um crescimento modesto desde 2017. As sanções aplicadas pelos EUA depois da invasão da Criméia, deram um efeito negativo na economia Russa.   Se não tivesse a OTAN e os EUA na fita,  a Rússia já tinha patrolado a Ucrânia. De 1970 para 1980 a URSS entrou em um período de redução de gastos com guerras, tinha despesas em manter uma base militar em Cuba.   A Guerra travada no Afeganistão que não deu certo  (“o Vietnã Russo”), por que os afegãos tiveram apoio dos EUA e da China que tinha rompido com a URSS, levou ao fiasco e fragilidade militar da União das Repúblicas. Depois do declínio da era Leonid Brejniev que ficou doente em 1980 e morreu em 1982, Mikhail Gorbachev ficou encarregado de fazer a reconstrução (Perestroika) e a transparência (Glasnost) do regime comunista/socialista, levando à implosão do sistema que durou de 1917 a 1991. A Polônia já tinha se libertado da influência da URSS em 1989. De 1980 a 2010 a Rússia perdeu espaço no cenário mundial, ela tenta recuperar agora, da forma como ela está jogando. Vladimir Putin, está tentando se recolocar no cenário mundial novamente, tentando ampliar o seu poderio geopolítico. Está mandando os seus representantes a todas as reuniões com EUA, com países europeus, com os fóruns em busca de um acordo, e cada vez apresentando as suas exigências. Pelo menos a via diplomática está temporariamente funcionando.  Manter 100.000 soldados no inverno na fronteira com a Ucrânia e mais 50.000 na Bielorrússia; custa dinheiro, fica caro, mas foi a maneira que ele encontrou para buscar algumas regalias nas negociações. Ele quer a todo custo tirar os mísseis da OTAN dos países vizinhos, e tem reivindicado que a OTAN não tenha como membro a Ucrânia e que as armas não sejam instaladas na Ucrânia e nos países do Leste Europeu, por que isso estaria colocando em risco a segurança da Rússia. Putin está preocupado com a segurança da Rússia e fica ameaçando a invasão da Ucrânia para conseguir avançar nas suas negociações.    Os ucranianos estão passando por intenso estresse, ainda correndo o risco de uma invasão real pela Rússia. Também tem um detalhe, se Putin invadir a Ucrânia, vai ter resistência, vidas serão perdidas pela ambição e arrogância geopolítica.   Recentemente, a China e os EUA também estiveram trocando farpas por causa da independência de Hong Kong que, em 1999, a Inglaterra devolveu para a China, mas que por outro lado Hong Kong não quer ficar sob o regime chinês. A China também tem ampliado significativamente o seu arsenal de foguetes, navios, portaviões, submarinos, bases e soldados.   Os EUA, Rússia e China estão buscando se posicionar geopoliticamente no mundo, estão com o estoque de balas e armamentos em alta, a falta de responsabilidade de um desses países pode desencadear um conflito catastrófico em razão do potencial de armas existentes.   A Europa, a União Europeia, a OTAN também estão se defendendo ao ajudar a Ucrânia, pois a invasão pode ser a porta de entrada para a Rússia tentar colocar um presidente que simpatize com o seu regime, visando segurar a expansão da OTAN pelo Leste Europeu.   Nos anos de 1960 foi assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear, esse tratado é revisado a cada 5 anos. O Tratado foi assinado em 1968 e passou a vigorar em 1970, tendo 189 países participantes. Conforme as normas do TNP, apenas as nações que explodiram a bomba atômica antes de 1967 têm direito de possuir esse tipo de armamento. Esses países são: EUA, Federação Russa, Reino Unido, França e China; esses países têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Dia 3 janeiro, a ONU divulgou um comunicado do acordo das cinco potências nucleares terem o compromisso conjunto de evitar uma guerra nuclear e a disseminação de armas nucleares. Que bom se for cumprido esse acordo.   O assunto continua quente, enquanto o  comandante da Marinha alemã, Kay-Achim Schönbach renunciou, após declaração que a Europa precisa da Rússia para evitar o avanço da China sobre a Europa, ou seja, ainda vai sobrar muito pano para a manga...   Mas duas reuniões estão marcadas para essa semana com a Rússia, a OTAN e países europeus. Espero que o bom senso prevaleça, e o povo da Ucrânia se veja livre do pesadelo russo.Renato Gorski é Economista em Mato Grosso, especialista em gestão de tributos, consultor de Projetos de Incentivos Fiscais Sudam/Sudene e Registro de marcas. Rgorski17@gmail.com 
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