O advogado cuiabano Ulisses Rabaneda, que é conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e Procurador-Geral do Conselho Federal, em breve estará atuando como conselheiro titular no Conselho Nacional de Justiça, na Capital Federal, julgando a propalada onda de corrupção que estaria viciando e comprometendo a atuação de um expressivo grupo de operadores do Direito na advocacia e magistratura de Mato Grosso. Ulisses Rabaneda foi indicado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para compor aquele órgão de controle do Judiciário, devendo cumprir um mandato de dois anos. Ele chega ao CNJ em um momento crucial para o Judiciário mato-grossense, quando aquele conselho acena com nova depuração nas práticas do TJMT e de seus agregados, 14 anos depois que, atendendo a um parecer do então conselheiro, Ives Granda Martins Filho, Mato Grosso viu dez dos seus magistrados serem aposentados por conta do rumoroso caso do Escândalo da Maçonaria.Enquanto se espera a posse de Ulisses Rabaneda, a informação que chega à solitária redação desta PAGINA DO ENOCK é que as denúncias sobre a pretensa corrupção do TJMT se avolumam. Na semana passada, através do Protocolo RD 0004749-50.2024.2.00.0000 foram encaminhadas novas denúncias da prática de possíveis manipulações processuais contra duas novas desembargadoras com assento no Tribunal Pleno do TJMT. Como sempre estranhamos, contudo, tudo se processa no Conselho Nacional de Justiça sob o constrangedor selo do “segredo de Justiça”. A nova reclamação trataria também de um julgamento que envolve valiosa área de terra no Sul do Estado de Mato Grosso em que as decisões judiciais, na segunda instância, estão sendo apontadas por advogados que atuam no caso como “altamente suspeitas” e, por isso mesmo, a reclamar por uma urgente correição do órgão máximo de controle judicial no País. Os denunciantes dizem ter sofrido até ameaças de morte ao pretender participarem de um julgamento pautado pela segurança jurídica.A chamada grande mídia mato-grossense, bem mais estruturada que a solitária redação desta PÁGINA DO ENOCK, não vem priorizando uma melhor investigação do atual escândalo da venda de sentenças no TJMT, com todos os seus possíveis desdobramentos. A violência urbana, a proximidade da eleição municipal e o futebol ocupam muito mais as manchetes de nossos jornais e saites. Coube ao VG Notícias, veículo de comunicação com sede em Várzea Grande e comandado pela jornalista Édina Araujo, informar que a Polícia Federal, através de sua Superintendência em Cuiabá, teria realizado o que chamou de “operação sigilosa” e que resultou na apreensão dos aparelhos celulares pertencentes aos desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, os dois já afastados preventivamente de suas funções no TJMT pelo Conselho Nacional de Justiça.O que se supõem é que as autoridades policiais, depois de degravarem as informações apontadas como bombásticas que teriam sido colhidas no celular do advogado Roberto Zampieri, agora irão fazer um levantamento semelhante para verificar se, nos celulares dos dois desembargadores punidos, e que se conta que manteriam ligação possivelmente muito estreita com o causídico assassinado, as informações do tipo bombásticas também se repetem.Todo esse levantamento de informações que vem sendo feito pela Polícia Federal marcaria a cuidadosa preparação para a deflagração, nos próximos dias, de uma operação de busca e apreensão contra personalidades do mundo jurídico de Mato Grosso, como feito, recentemente nos Estados do Maranhão e Paraná. De acordo com cálculos que esta PAGINA DO ENOCK já divulgou, a PF deve visitar cerca de 30 advogados de Mato Grosso, 10 desembargadores e 10 juízes, conforme informações que transbordaram de fontes de Brasília e de Cuiabá.Na secura de informações que marca a cobertura da grande mídia mato-grossense com relação às investigações do CNJ e da Polícia Federal sobre a pretensa corrupção do Judiciário mato-grossense, mereceu destaque a informação, divulgada pelo saite Olhar Direto, editado pelo jornalista Lucas Bólico, na semana passada, de que um ex-assessor do desembargador Sebastião de Moraes, o advogado Rodrigo Vechiato da Silveira, seria um dos intermediadores da venda de sentença que está sendo investigada em nosso Estado.Todo inquérito sobre a corrupção em Mato Grosso corre em rigoroso segredo de Justiça mas o Olhar Direto conseguiu apurar, nesse caso, que o corregedor Luis Felipe Salomão e o CNJ conseguiram identificar, no celular-bomba do advogado assassinado, trocas de mensagens entre Vechiato e Zampieri, onde são usados apelidos como “o homem” e “o chefe”, ao que tudo indica para se referirem ao desembargador Sebastião de Moraes, a quem Vechiato então prestava serviço. Ele teria se aproveitado da proximidade com o desembargador para possivelmente faturar por fora, de acordo com o que investiga o CNJ. Além disso, no aparelho apreendido, fala-se na transferência de R$ 50 mil de uma parte para a outra, além de se conversar abertamente sobre a compra de dólares, a forte moeda norte-americana.Em uma das trocas de mensagens, segundo revelou o Olhar Direto, Roberto Zampieri aparece encaminhando à Vechiato a cópia de uma decisão assinada por Sebastião Moraes e dizendo que “esse tem honorários” e que havia falado “com o chefe e ele disse que vai reconsiderar”. Negociação de sentença, ao que tudo indica, aberta e franca. Conforme o saite, o desembargador, de fato, mudou de posição no caso em julgamento, que seria objeto dessa troca de mensagens, identificada pela PF e vazada em boa hora para o Olhar Direto.As revelações do Olhar Direto foram replicadas por saites como o Midia News, Reporter MT, O Livre, nesses últimos 4 dias, pelo que constatei no Google. Faltou, todavia, ímpeto investigativo aos jornalistas envolvidos, já que não informaram sequer que o citado advogado Rodrigo Vechiato, depois que se afastou do TJMT, passou a atuar em parceria com o advogado e ex-juiz eleitoral Ricardo Almeida, profissional renomado em Cuiabá, os dois atuando em disputa agrária que envolve área milionária de terras na região de Sorriso (distante 397 quilômetros da capital).Fontes do CNJ informaram a esta PAGINA DO ENOCK que a área objeto das pretensas tratativas irregulares entre Sebastião de Moraes, Vechiato e Zampieri, divulgadas pelo Olhar Direto, é disputada na Justiça por um dos barões do Agro de Mato Grosso, o empresário ruralista Argino Bedin, que ganhou fama nacional, recentemente, ao ser investigado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como um dos pretensos financiadores dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2003, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A disputa judicial se arrasta há anos e dentro da área litigiosa se encontra o Aeroporto de Sorriso. Veja o que já se publicou sobre Bedin e o 8 de janeiro: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2023-10/suspeito-de-bancar-atos-golpistas-empresario-fica-em-silencio-na-cpmiExistem rumores de que o celular-bomba de Rodrigo Zampieri expõe, com relação a essa área em Sorriso, o pagamento de altas cifras, com valores que atingiriam o montante de até R$ 6.000.000,00 (Seis milhões de reais).Sigo confiando que a grande mídia mato-grossense nos trará em breve novas revelações sobre todo esse cenário conflagrado em que constitui, atualmente, o Judiciário de Mato Grosso e suas cercanias. Afinal de contas, os contribuintes de nosso Estado não podem permanecer desinformados diante de uma apuração de irregularidades de tal monta.ENOCK CAVALCANTI, 71, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, editado a partir de Cuiabá, MT, desde o ano de 2009Ulisses Rabaneda, novo representante da OAB nacional no CNJ