DEU NO GLOBO: Governador Mauro Mendes e familiares reforçam pressão sobre jornalistas e veículos que investigam atividades empresariais de Luis Antônio Taveira, filho do governador. LEIA B.O. CONTRA ULISSES LALIO E ABERTURA DE INQUÉRITO PELA POLÍCIA CONTR

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Os ataques do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (Uniáo Brasil) e de seus familiares contra jornalistas mato-grossenses espanta cada vez mais o Brasil. é o que fica evidente quando se lê a nota publicada na coluna do jornalista Lauro Jardim, na edição de O Globo do dia de outubro. Verbatim:"Polícia do MT abre inquérito contra jornalistas por reportagens sobre... filho do governador do MTPor Rodrigo CastroA Polícia Civil do Mato Grosso instaurou um inquérito para apurar a conduta de cinco jornalistas que publicaram reportagens que implicam Luís Mendes, filho do governador Mauro Mendes, como um dos investigados pela Polícia Federal por garimpo ilegal.Segundo uma portaria referente à investigação, os suspeitos “ofenderam a honra subjetiva da vítima citada ao divulgarem notícias falsas (em sites, redes sociais e jornais) publicando fotografia da vítima e afirmando que ela seria investigada pela Polícia Federal na ‘Operação Hermes’, que apura esquema de comercialização ilegal de mercúrio”.O documento também cita a “complexidade do presente caso” devido “à pluralidade de suspeitos, inúmeros dados técnicos a serem obtidos e outros”.O entendimento preliminar da Polícia Civil foi de que supostamente os jornalistas teriam incorrido no delito de injúria majorada. Em crimes como esse, para iniciar a apuração, é necessário manifestação da parte ofendida.Mas, além de não ser usual a abertura de inquérito por reportagens, a investigação ficou a cargo da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos.A assessoria de comunicação do governador diz que “não tem conhecimento sobre o caso”. Questionada se houve uso arbitrário da máquina estatal, afirmou que “todo cidadão pode recorrer à Justiça e aos órgãos de investigação quando se sentir prejudicado, a exemplo do caso em questão e de milhares de outros que tramitam em Mato Grosso e no país”. E acrescentou que “está sendo tratado como mais um caso igual a qualquer outro”.Procurados, nem o advogado de Luís Mendes e nem a Polícia Civil não retornaram."
Tudo porque no jornal A Gazeta, de Cuiabá, o jornalista Pablo Rodrigo noticiou possível inquérito da Policial Federal envolvendo as atividades empresariais de Luis Antonio Taveira, filho do eventual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes - e a matéria foi reproduzida por Mato Grosso e pelo Brasil inteiro. Registre-se que Pablo Rodrigo também atua como correspondente do jornal Folha de S. Paulo. Eis o texto, verbatim:"PF investiga filho do governador por atividade garimpeiraPablo Rodrigopablo@gazetadigital.com.brO filho do governador Mauro Mendes (União), Luis Antônio Taveira Mendes, é um dos empresários investigados pela Polícia Federal por compra de mercúrio sem autorização legal para usar em garimpos nos Estados de Mato Grosso e Pará. A investigação é desdobramento da Operação Hermes(Hg), deflagrada no dia 1º de dezembro do ano passado e que revelou um esquema de venda de mercúrio ilegal.A ampliação do inquérito envolvendo os empresários acusados de comprar mercúrio ilegal foi solicitada pela Polícia Federal durante o processo de apuração. No caso de Luis Antônio, pesa a suspeita de adquirido R$ 301.9 mil em mercúrio de Edilson Rodrigues de Campos.Em 24,03,2022, Edilson, por intermédio de sua pessoa jurídica, vendeu mercúrio, sem autorização legal para tanto, para a empresa Kin Mineração Ltda, pelo montante total de R$ 301.971,00. Nos dias 6.6.2022 e 13.10.2022 e 7.11.2022, diz trecho de denúncia contra a organização criminosa do Grupo Veggi.Após a denúncia contra o grupo criminoso, a PF continuou com as investigações contra os empresários com objetivo de identificar a origem dos bens apreendidos e a quantidade de ouro produzido com a utilização do mercúrio ilegal, além da estimativa do impacto ambiental que pode ter causado.A PF suspeita que os delitos estão relacionados ao contrabando e acobertamento de mercúrio que abastece garimpos instalados na Amazônia Legal: Mato Grosso, Rondônia e Pará.Luis Antônio assumiu junto com a primeira-dama, Virgínia Mendes, as empresas e negócios da família, desde que Mendes retornou à política em 2018, quando se elegeu governador pela primeira vez.No caso da Kin Mineração Ltda, o capital social do garimpo é de R$ 3 milhões, tendo Luís Antônio como sócio-administrador.Além do filho do governador, também é investigado o garimpeiro Valdinei Mauro de Souza, o Nei Garimpeiro, conhecido como Rei do Ouro.Ele chegou a ser alvo da operação em dezembro passado, quando durante a busca e apreensão, foram apreendidos relógios e joias, como também dois carros, um SW4 e um Porshe.Em documentos encontrados na casa do empresário, também citam relojoarias e empresas de joias famosas em todo o país e que tem filial em Cuiabá. A Justiça Federal chegou a bloquear R$ 19 milhões do empresário.Detalhes da operaçãoA Operação Hermes (Hg) foi deflagrada para apurar e reprimir crimes contra o meio ambiente, comércio ilegal de mercúrio, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A polícia bloqueou de R$ 1 bilhão, montante do prejuízo causado pelos criminosos.Outro ladoUm grupo empresarial de São Paulo é sócio majoritário e administrador da Kin Mineração. E acredita que todas as transações de compra de mercúrio são regulares, disse o advogado Hélio Nishiyama, que faz a defesa da empresa do filho do governador. Contudo, não quis comentar em detalhes."Como se vê, nenhum comentário depreciativo. Jornalismo, puro e direto. Só informações, inclusive com abertura de espaço para que o advogado Hélio Nishima, que representa a empresa do filho do governador, explicitasse todos os esclarecimentos que julgasse necessário, atitude que, segundo A Gazeta, Nishima preferiu não adotar, evitando "comentar em detalhes". Nishima é o advogado escalado para abrir processos contra A Gazeta e contra Pablo Rodrigo e, agora, solicitar essas providências policiais contra um grupo enorme de jornalistas e veículos de comunicação, como se confere nos documentos que publico. Uma truculência judicial sem precedentes contra o jornalismo profissional, como nunca dantes se viu nesse Mato Grosso de tantos absurdos.