Depois de ajudar a eleger jornalistas policialescos, Grupo Gazeta agora dá uma força à pré-campanha de apresentador tremendamente bolsonarista

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O Grupo #Gazeta de Comunicação, no passado, já contribuiu para eleger, em Mato Grosso, muitos comunicadores, como Valter Rabelo e Lino Rossi, de perfil policialesco, badalados como apresentadores do "Cadeia Neles".

Valter e Lino foram parlamentares que conquistaram a preferência eleitoral de muitos mato-grossenses, dando eco aos baixos instintos e defendendo, em muitas de suas apresentações, a pena de morte para criminosos, que até hoje não foi incluída na legislação brasileira, apesar do arreganhos, Brasil afora, de tantos apresentadores de rádio e TV, como eles.

Toninho de Souza, repórter da Gazeta, também chegou a vereador, na Câmara de Cuiabá, protegido sob a capa da Gazeta, até entender que poderia sobreviver sem as bençãos de Dorileo Leal e até esbarrar com Abilio Brunini.

Os falecidos Lino Pinheiro (que rompeu com o grupo, no final da vida) e Edivaldo Ribeiro, bem que tentaram também chegar lá mas não tiveram muita sorte, ficaram pelo meio do caminho, já que não embarcaram na defesa dos tais baixos instintos. Edivaldo, para honra de sua memória, chegou a ajustar o discurso predador do "Cadeia Neles", investindo mais, através do programa, na prestação de serviços.

Pelo que parece, a bola da vez, atualmente, nesta temporada 2025/2026, é o apresentador Haroldo Arruda Junior, que já lançou sua pré-candidatura a deputado federal pelo PL - Partido Liberal.

Haroldo, pelo que se vê, sempre apresentado como "professor", segue com a bola toda dentro da Gazeta, atuando na bancada matinal do programa Noticia de Frente e virando arroz de festa nas edições popularescas do Viva Seu Bairro, onde deve procurar os braços do povo das periferias, contando com a produção geral do megaempresário Dorileo Leal - um dos intocáveis, até aqui, de Mato Grosso, desde que ganhou a benção de Dante e Antero para sua meteórica ascensão.

Haroldo faz a pré-campanha dele e também a pré-campanha do atual senador Flávio Bolsonaro, o folclórico candidato da extrema direita à presidência da República, investindo numa postura de bolsonarista raiz, bolsonarista defensor apaixonado das teses deste grupo brasileiro da extrema direita, responsável, em Mato Grosso, por fenômenos eleitorais como as eleições da juíza Selma Arruda como senadora e da advogada Flávia Moretti como prefeita de Várzea Grande, superando o candidato da longeva família Campos.

Em recente postagem nas redes, o bolsonarista Haroldo afirmou, no que me pareceu um tom de macaca de auditório, que, para ele, é Deus no céu e Flávio Bolsonaro na terra.

"Flávio Bolsonaro - escreveu Haroldo - surge em 2026 como a continuidade de um projeto que defende (sic) liberdade, família e segurança. Sua firmeza, lealdade e preparo o colocam como uma liderança capaz de reconstruir o país e devolver esperança aos brasileiros. É uma pré-candidatura que inspira confiança e fortalece quem acredita em um Brasil mais justo e livre. Tmjunto!!!"

Vai para o trono ou não vai??!

Haroldo Arruda, que já disputou uma vaga de vereador na Câmara de Cuiabá em 2016, pelo Republicanos - e não conseguiu nada, certamente que deve ter ficado encantado, agora, pelo discurso sectário do atual prefeito de Cuiabá, o arquiteto bolsonarista Abílio Brunini, que tem defendido que, "em Mato Grosso, político de esquerda não se cria".

Em suas arremetidas desc0ntroladas, Abílio tenta, evidentemente, desmentir a própria história do Estado que tem no falecido engenheiro Dante de Oliveira seu político mais endeusado até aqui.

Dante que fez vestibular para guerrilheiro, durante o período da ditadura militar (1964-1984), militando no grupamento esquerdista do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - o MR-8, formado pelos seguidores da doutrina de insurreição popular defendida pelo médico argentino Ernesto "Che" Guevara. Sim, mais do que um político de esquerda, Dante, na juventude, andou lado a lado com o povo da luta armada, mesmo assim recebeu muitos votos e muito apoio enquanto caminhou e fez política entre os mato-grossenses que Abílio agora tenta carimbar como majoritariamente evangélicos e majoritariamente patriotários. Ora!

O crescente descrédito que vem cercando a gestão de Abílio à frente  da Prefeitura de Cuiabá pode ser outra ameaça às esperanças do Haroldo bolsonarista. Como gestor, Abílio visivelmente patina, gagueja, tropeça, perdendo apoios.

Mas quem parece ter se assumido como um militante reacionário à toda prova, como é o caso do Haroldo, provavelmente continuará arrotando suas "verdades supremas" até que enfrente, se isso vier realmente a acontecer, a verdade das urnas, em 2026.

Triste é pensar que, se o Haroldo não vier a ser estraçalhado pelas urnas, com Gazeta e tudo, com seus pares de campanha, as maiores vítimas, então, seremos nós, que pregamos contra gente que pensa como ele, que insiste em defender o período macabro que foi a passagem do bolsonarismo pelo poder na presidência da República do Brasil, notadamente no período da pandemia da Covid-19. Pois, como dizia minha bisavó Dinda, lá em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco, "nesse mundo tem louco pra tudo".

ENOCK CAVALCANTI, 72, é jornalista e editor do blogue PÁGINA DO ENOCK, editado a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.

email: enockcavalcanti@gmail.com