Meus amigos, meus inimigos; a memória é que faz a história. Registro, então, que o ativista político Jairo Rocha deu uma guinada à direita em sua trajetória política. Pelo menos, eleitoralmente.
Jairo, com atuação nos bairros populares da região do Coxipó, já foi uma das mais fortes lideranças políticas do PT - Partido dos Trabalhadores em Cuiabá e Mato Grosso. Desde que rompeu com o PT, construiu forte relação com o ex-vereador cuiabano Marcelo Bussiki (UB), auditor fiscal do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Marcelo, uma liderança da direita pretensamente liberal.
O que levou Jairo Rocha, com suas credenciais de líder basista, a atuar hoje em dia na Casa Civil do governo do truculento Mauro Mendes e, na campanha eleitoral deste ano de 2024, a contribuir para a vitória do bolsonarista Abilio Brunini sobre o petista Lúdio Cabral - medico agora no campo da direita petista.
Dentro do PT, Jairo Rocha teve seu ápice durante o mandato da senadora Serys Slhessarenko, enquanto ela e ele estiveram no PT, e ele, além de compartilhar o mandato petista no Senado, era o coordenador da corrente Articulação De Esquerda, do campo da esquerda petista, em Mato Grosso.
Como dirigente petista Jairo, um dos herdeiros de Sivaldo Campos – abatido e afastado da militância pelo ataque criminoso arquitetado contra ele por Nicássio do Juca - era ativo, persistente, feroz. Queridinho do líder nacional da AE, Valter Pomar, em Mato Grosso, Jairo comandava com muita habilidade as suas bases, que formavam buliçosa e numerosa base do mandato de Serys – e vivia às turras com os militantes da direita petista, que se articulavam em torno do professor Carlos Abicalil.
A derrota interna diante de Abicalil e sua tropa, que não permitiram que Serys se recandidatasse a senadora pelo PT, acabou empurrando Serys e Jairo para fora do PT. E, com o tempo, para fora também da esquerda. Serys andou pelo Republicanos (partido em 2024 comandado por Otaviano Pivetta) e, nessa campanha, retornando à centro esquerda, deixando o Republicanos e assumindo o PSB de Max Russi com a filha Natasha, esteve ao lado da campanha de Lúdio e Carlos Fávaro (PSD).
Jairo, para quem lhe é próximo, tem dito que a opção por Abilio Brunini foi uma opção que achou melhor do que apoiar Lúdio Cabral, um militante com o qual nunca teve muita harmonia dentro do PT. Curioso é que, como legado para Lúdio e para o PT, Jairo Rocha deixou no PT de Cuiabá, seu antigo lugar tenente, o militante Bob Almeida, agora entronizado como novo lugar tenente de Lúdio Cabral.
São alguns dados que registro para quem se dispuser a escrever estudo sobre Caminhos e Descaminhos da Esquerda em Mato Grosso, Território do Agro, início do século 21. Como o professor Alfredo Menezes vive preocupado com a Bolívia, o Paraguai, o Peru e a saída para o Pacífico, precisamos que outro historiador aprofunde essa investigação.
Enock Cavalcanti, 71, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, editado a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.
