MIRANDA MUNIZ: Aqui em Mato Grosso, alguns “analistas” precipitados têm difundido a tese do tal W X O, dando a reeleição de Mauro Mendes como favas contadas. Entretanto, a realidade das urnas pode apontar surpresas

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Mauro Mendes tá pedindo pra perder! MIRANDA MUNIZNo futebol é comum o locutor ou comentarista utilizar o bordão de que determinado time ”tá pedindo pra perder”, especialmente quando o time mais forte está ganhando de 1 X 0 e aí começa a fazer algumas “cagadas homéricas” (erros crassos). Aqui em Mato Grosso, alguns “analistas” precipitados têm difundido a tese do tal W X O, dando a reeleição de Mauro Mendes como favas contadas.Entretanto, a realidade das urnas pode apontar surpresas. Isso se a surpresa não vier antes mesmo das convenções, cujo prazo final é o dia 5 de agosto.Por quê Mauro Mendes está pedindo pra perder?Em primeiro lugar, por se apegar a um pequeno grupo de apaniguados, desconhecendo que sua eleição foi resultado de um amplo leque de forças partidárias, tendo os ex-governadores Blairo Maggi, Carlos Bezerra e Jaime Campos, como figuras centrais, além de diversas outras lideranças políticas de destaque. Mas parece que o Governador acha que ganhou sozinho, tal o menosprezo que tem com aliados importantes. Bezerra, Jaime, Fávaro, entre outros, já experimentaram dissabores. O próprio Blairo, figura maior da política mato-grossense, queiramos ou não, se sentiu desprestigiados quando o Governado, após sua viragem para o bolsonarismo, preteriu o deputado Neri Geller (do PP de Blairo Maggi) e escolheu o outro neobolsonarista Welinton Fagundes (PL) ao Senado. Mostrando certa irritação e altivez o ex-governador chegou a afirmar que "a candidatura do Neri nunca ficou dependente do apoio do Governador (...) Então, se nós tivermos o apoio do Governador, ótimo, se não tiver, vamos em frente também".O desprezo aos aliados também é nítido quando o Governador usa a tática de “cozinhar o galo”, deixando a sua própria decisão em ir para a reeleição para o dia 5 de agosto, ultimo dia das convenções. Chega a fazer chacota afirmando que os aliados devem “conter a ansiedade”, deixando a entender que todos os outros projetos eleitorais devem submeter ao tempo e a hora do “Grande Lider”.Além desta soberba com os próprios aliados, o menosprezo aos servidores públicos é algo nunca visto em outros mandatários. Mesmo com os cofres abarrotados, sobretudo pela sanha arrecadatória de impostos que penaliza a indústria e o comércio, simplesmente se nega a pagar o RGA, deixando assim de corrigir os vencimentos carcomidos pela inflação galopante do Governo Bolsonaro.Por outro lado, as pesquisas eleitorais apontam que cerca de 65% do eleitorado não escolheu ainda seu candidato ao Governo e, entre os que já escolheram, a opção pela candidatura do Mauro Mendes não passa de 40%.Isso indica que há uma avenida neste front eleitoral para uma candidatura de oposição desfilar, sobretudo se tal projeto estiver colado ao projeto nacional liderado por Lula/Alckmin. Nós da FE BRASIL (federação formada pelo PCdoB, PT e PV) temos, pacientemente e com sabedoria, construído essa alternativa. Uma construção que tem 2 grandes objetivos: o primeiro é isolar e derrotar Bolsonaro aqui também no Estado, elegendo Lula/Alckmin, para reconstruir o Brasil; o segundo, derrotar Mauro Mendes, para construir uma Mato Grosso inclusivo, solidário e com desenvolvimento sustentável, desafio que também precisará de muita amplitude política. Por isso, nunca deixamos de dialogar com outras forças políticas.O jogo está muito longe de acabar... Eu pressinto que o tal W X O não passa de uma doce ilusão. Se o Governador seguir nesta toada poderá é acabar pendurado na brocha!Miranda Muniz é agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça avaliador federal e dirigente estadual do PCdoB.