LIDERADOS PELO SINDSPEN POLICIAIS PENAIS VÃO À GREVE POR SALÁRIOS DIGNOS: Governador Mauro Mendes tem tremedeira e cancela evento em presídio de Cuiabá para fugir de grevistas. Governo fala em negociar na 3ª mas lutadores do Sindspen não aceitam mais enca

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Deu tremedeira no governador de Mato Grosso. Mauro Mendes, empresário do DEM, sentiu forte a rejeição de sua administração junto aos servidores estaduais, a ponto de cancelar um evento oficial em razão da manifestação dos policiais penais que entraram com indicativo de greve, neste final de semana, reclamando dos salários de miséria que estão recebendo.Diante do protesto desta sexta-feira, 10 de dezembro, quando os policiais penais fizeram concentração massiva para esperar o governador, o empresário Mauro da Bimetal precisou cancelar a entrega de duas novas alas que seriam inauguradas por ele na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, conforme agenda anunciada há vários dias. O atual governador, pelo que parece, não dispõe da estrutura mental e moral para negociar democraticamente com uma categoria que está mobilizada para a defesa dos seus direitos. Por isso, aparentemente, se acovardou, mudou a agenda e se escondeu do povo.Tudo que os policiais penais querem é que o Governo de Mato Grosso estabeleça isonomia salarial entre as categorias da área de Segurança Pública de Mato Grosso. Entendo isso como uma questão de justiça que salta aos olhos. Os grevistas argumentam que ganham a metade do que ganham os demais policiais (civis e militares) e resolveram ir à greve para garantir a equiparação dos ganhos salariais entre quem executa trabalho assemelhado em prol da segurança da população mato-grossense.O presidente do Sindspen-MT, que é o policial penal Amaury Neves, argumenta que a proposta apresentada pelo Governo de Mato Grosso até aqui é simplesmente esdrúxula: "Eles propõem 14% de reajuste, isso incluindo o RGA, tirando cai pra 8%. Isso é escandaloso. Isso é inaceitável. Nós recebemos salário base de R$ 3.150, mas você desconta imposto de renda e previdência, nosso salário cai pra R$ 2 mil. E aqui nós temos guerreiros que estão na fase inicial que trabalham recebendo ameaça de facções criminosas, do crime organizado. O que fazer com R$ 2 mil?"Foi porque o governo não negociou um reajuste mais condizente no índice, que a categoria decidiu em concorrida assembleia geral no dia 9, na historia Praça Ulysses Guimarães, diante do Shopping Pantanal, iniciar o movimento grevista com a suspensão de atividades não-essenciais que podem levar ao cancelamento de visitas de parentes de presos, de advogados e até de membros do Poder Judiciário nos presídios, já a partir deste início da semana. Uma das primeiras reações do governador Mauro Mendes, pelo que se viu através dos jornais e saites amigos e dos seus jornalistas amestrados, foi trovejar que pode acionar a Justiça para que estabeleça a pretensa ilegalidade da greve. Mas os policiais penais contra-argumentam que os trabalhadores tem esse direito histórico de se mobilizarem em defesa de uma remuneração digna. São muitas as decisões judiciais garantindo este direito, até mesmo no Judiciário de Mato Grosso. "Quem não luta pelos seus direitos não é digno dele" - enfatizam alguns, repetindo consigna atribuída, em julgado, ao desembargador Juvenal Pereira de Souza, do TJ-MT. Em Mato Grosso, um policial penal chega a ganhar, segundo cálculos da categoria, 60 por cento do que ganha atualmente um investigador da Policia Civil, tendo que enfrentar riscos tremendos em sua labuta cotidiana.Uma coisa que machucou bastante as lideranças dos policiais penais foi a inabilidade e até mesmo a brutalidade adotada pelo secretário Basílio Bezerra, escalado pela administração estadual para as últimas negociações com a categoria. Lideranças do Sindspen garantem mesmo que Basílio foi desrespeitoso com os trabalhadores e já descartam prosseguir em conversas com ele. A preferência dos grevistas é para que as negociações sejam conduzidas, se for o caso, pelo secretário chefe da Casa Civil, empresário Mauro Carvalho, que tem se mostrado, segundo dizem, mais cordato nos contatos com a categoria.O deputado estadual João Batista Pereira, que já foi dirigente do sindicato dos policiais penais, tem participado ativamente das mobilizações, em apoio aos grevistas. Falando ao nosso blogue disse lamentar a falta de tato do secretário Basílio, que provocou muitas reclamações dos dirigentes do sindicato e anunciou seu esforço para que a reunião para um nova negociação com o Governo do Estado seja adiantada. "Eles falam em negociar na terça mas seria bom negociar antes", nos disse João Batista.No vídeo que publico acima, que retrata entrevista à afiliada da Rede Globo, você ouve o presidente do Sindspen, Amaury Neves, explicar as razões para o novo movimento paredista dos policiais penais em Mato Grosso.
Policiais penais, com o presidente do Sindspen, Amaury Neves (ao centro, de máscara), concentrados diante do Presídio Central de Cuiabá, aguardavam o governador Mauro Mendes, que cancelou inauguração, evitando encontro com grevistas. Foto Sindspen MT