ENOCK CAVALCANTI: 2ª parte da série francesa LUPIN, estrelada por Omar Sy, será lançada dia 11, pela Netflix. E assim vamos nos livrando cada vez mais da hegemonia deletéria da Rede Gobo
Omar Sy na série LupinLupin e Omar Sy voltam para nos deleitarPor Enock CavalcantiSim, torcemos muitas vezes pelo bandido. Não se pode negar que há um charme particular em personagens que cometem os mais engenhosos crimes e desafiam autoridades que, muitas vezes, sabemos que são corruptas. Por isso, nosso sentimento por Lampião, por Robin Hood. Recentemente, vimos este fenômeno no sucesso da série da Netflix que reverencia o maior dos bandidos da literatura francesa: Arsène Lupin. A Netfix também nos agrada por colocar abaixo a hegemonia de estruturas de comunicação construidas com apoio da corrupta ditadura militar, no Brasil, como no caso da Rede Globo.Graças a Deus, eu cresci lendo Sherlock Holmes e também seu antipoda, Arsene Lupin. Criado por Maurice Leblanc no início do século 20, ele pontifica na série da Netflix estrelada por este ator magnifico que é Omar Sy. A produção faz uma releitura divertida e sarcástica da obra de Leblanc, trazendo-a para a França do século 21. E é tão reconfortante ver uma produção francesa batendo recordes das tradicionais produções dos Estados Unidos que a Rede Globo e as redes de cinemas gostavam tanto de enfiar por nossa cabeça a dentro. Agora temos opções no streamingEm Lupin, Sy é Assane Diop, um imigrante senegalês que, na adolescência, viu seu pai ser incriminado pelo roubo de um colar valioso. Antes de ser mandado para a prisão, porém, o velho motorista deixou um último presente para o filho: um romance de Arsène Lupin. Mais que um refúgio, a obra se torna uma inspiração para o jovem elaborar sua vingança contra os patrões milionários que mancharam o nome do seu pai.Maiane Canishares escreveu no Omelete: "A dinâmica de gato e rato com a polícia, somada à dramaticidade dos esquemas, é atraente por si só. Mas, para Lupin ser esta homenagem contemporânea interessante e maratonável, era necessário que seu protagonista tivesse um apelo sedutor semelhante ao do ladrão original. Neste sentido, não poderiam ter escalado alguém melhor que Omar Sy para o papel. Mais até que a elegância exigida para ser esse Arsène Lupin moderno, o ator francês esbanja carisma e acrescenta uma dose de malícia ao personagem de tal modo que não dá para desviar o olhar. Não à toa é tão fácil torcer para o sucesso dos seus crimes. Assane é irresistível." Sim, Omar Sy é irresistível - e sua carreira cinematográfica vem somando êxito em cima de êxito não é à toa.Vejam que a série Lupin foi assistida por mais em 70 milhões de domicílios desde seu lançamento superando “O Gambito da Rainha” (62 milhões) e “Bridgerton” (63 milhões), se tornando a primeira produção francesa do streaming a entrar no Top 10 norte-americano das séries mais assistidas. A produção também chegou ao primeiro lugar da lista em diversos países, dentre eles este nosso Brasil bolsonarista.A trama da segunda parte, que será lançada pela Netflix em 11 de junho, focará no personagem Assane, que continua sua busca por vingança pela injustiça que seu pai sofreu e também pelo assassinato de uma das pessoas que acabaram se tornando sua amiga na trama, a jornalista Fabienne Beriot. Além disso, Assane precisa lidar com o sequestro do filho Raoul e decidir se conta ou não para sua ex-esposa, Claire, o real motivo por trás do sequestro.Enock Cavalcanti, jornalista, 67, é editor do blogue PAGINA DO E, a partir de Cuiabá MT, desde o ano de 2009.