Covid matou aos 72 anos o médico José Augusto Curvo, o Tampinha

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José Augusto Curvo - o Tampinhaestava internado e entubado desde o último dia 15, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo e morreu hoje. Mais um na longa, quase infinita lista de vítimas da covid. Sempre nos tratamos com cordialidade e, na última vez que o encontrei, ele lastimou: "Pena que não conclui aquele projeto da Internet Para Todos! " - e me chamou para um café. Café fraterno, com papo gostoso, naquele ambiente de shopping que o portuga José Saramagodefiniu com precisão como as cavernas modernas onde os humanos se recolhem com seus medos. No governo do Michel Temer, Tampinha, que fora do PDT, chegou a secretário executivo do Ministério das Comunicações, com Gilberto Kassab, e trabalhara pelo lançamento de um satélite brasileiro que, pelo que anunciava, seria usado com exclusividade para viabilizar internet gratuita nos lares de todos os brasileiros, universalizando a oferta. Claro que me entusiasmei, pois universalizar a internet é daquelas causas pétreas que jamais devemos abandonar. Uma proposta grandiosa, delirante que, sob Temer e Kassab, claro, acabou inviabilizada. E sob Bolsonaro, a pá de cal veio, infalível. Mas o Tampinha, sempre que conversava comigo, garantia que era possível, sim, que aquele era um sonho que poderíamos sonhar juntos. E bebíamos café, especulando. Mas e agora??! O médico gentil não está mais entre nós. Nada de Internet Para Todos. Nada de Tampinha. Tenhamos força para manter nossos sonhos de pé. Meus sentimentos à família e aos amigos enlutados. Descanse em paz, José Augusto Curvo!