ALEXANDRE APRÁ: Advogado Ademar José Paula da Silva, ex-sócio, vê diferença em divisão de lucros de escritório e processa advogado Rodrigo Cyrineu. LEIA INTEIRO TEOR DA AÇÃO
Advogado que defende governador Mauro Mendes no TRE é acusado de lesar lucros e ex-sócio pede que Justiça ouça políticosPOR ALEXANDRE APRÁ/ISSOÉ NOTÍCIAO advogado Ademar José Paula da Silva moveu uma "ação de exigir contas" na Justiça de Cuiabá contra o advogado Rodrigo Terra Cyrineu, seu ex-sócio no escritório de advocacia "Cyrineu e Silva Advocacia", e pede que a Justiça ouça diversos políticos que contrataram assessoria jurídica da empresa, especialmente no âmbito eleitoral.Entre os políticos arrolados estão o ex-prefeito Roberto França Auad, o ex-deputado federal Fabio Garcia (União), o vice-governador Otaviano Piveta (Republicanos), o prefeito de Nova Ubiratã, Edegar José Bernardi e um advogado e um diretor da Águas Cuiabá, concessionária de saneamento da capital.Segundo a ação, Ademar era sócio com Rodrigo Cyrineu, entre 2012 e 2021, com parcela idêntica no negócio entre ambos (50% para cada). O ex-sócio relatou que após a dissolução passou a ter problemas com Cyrineu na resolução da situação de contratos do escritório e que, com os documentos a que teve acesso, "constatou uma diferença razoável na divisão dos lucros (transferências bancárias para as contas físicas dos então sócios) da sociedade no curso de 2020".Ademar relatou que conseguiu ter acesso aos documentos contábeis do escritório de advocacia do qual era sócio apenas relativas aos anos de 2020 a 2022 e que o controle financeiro era feito exclusivamente por Rodrigo Cyrineu, conforme o contrato de sociedade.Entre as diferenças constatadas nos documentos a que teve acesso, Ademar cita a localização de uma transferência de R$ 100 mil do escritório para uma conta de um dos sócios (Cyrineu), sem o devido repasse ao outro sócio (Ademar).O ex-sócio ainda citou que Rodrigo Cyrineu gastou o dinheiro do escritório de advocacia em postos de gasolina, padaria, açougue, mercados e afins."Reforça-se, uma vez mais, que as hipóteses acima não necessariamente tratam de erronia na divisão equânime de honorários/lucros que deveria existir entre os então sócios, mas levantam dúvidas consideráveis no Autor sobre a retidão de tais atos que precisa ser esclarecida, como também os muitos gastos alheios a atividade fim da sociedade realizados em postos de combustível, padaria, açougue, mercado e outros estabelecimentos congêneres, tudo isto pago com o cartão da conta bancária do escritório que era de posse e utilizado exclusivamente pelo primeiro Demandado [Rodrigo Cyrineu] nestes autos"Ademar ainda explicou que resolveu procurar a Justiça depois de várias tentativas de resolução administrativas e após Rodrigo Cyrineu o ter bloqueado no Whatsapp.Campanhas de Mauro Mendes e Roberto FrançaO ex-sócio também questiona créditos oriundos da assessoria jurídica realizada pelo escritório às campanhas eleitorais de Mauro Mendes ao governo em 2018 e de Roberto França a prefeito de Cuiabá em 2020.Ademar citou que na prestação de contas ao TRE em 2018, Mauro declarou ter pago R$ 120 mil ao advogado, mas que não recebeu sua parte pelos serviços.Segundo o ex-sócio, Cyrineu alegou que não recebeu o valor pelo serviços eleitorais de 2018."Ocorre que mesmo havendo rumores de que o Governador do Estado e/ou o seu partido12 havia(m) honrado tal débito, o primeiro Demandado sempre negou tal adimplemento, conforme se constata da inclusa conversa travada entre ambos no WhatsApp [doc. 08] onde este afirmou em 04/02/2022: “Eu não vou judicializar contra o Governador".O ex-sócio não acredita na história de não-pagamento porque Cyrineu assumiu, neste ano, a assessoria jurídica da campanha de reeleição de Mauro."A argumentação de que tal débito de 2018 ainda não fora pago, ao que tudo indica, é frágil, vez que os ora Demandados estão comandando o jurídico de mais uma campanha do Exmo. Governador Mauro Mendes (“Mauro Mendes Governador 2022”), que saiu a reeleição, o que é fato público e notório”Já em 2022, Mauro declarou ao TRE já ter gasto R$ 450 mil na assessoria jurídica da campanha eleitoral, já tendo executado o pagamento de R$ 150 mil até o momento.O ex-sócio ainda cita um contrato firmado com a Prefeitura de Campo Verde, renovado em 2022, mas que não teve o seu conhecimento.O advogado pede que Cyrineu seja notificado e que apresente as contas do escritório de advocacia, de forma mensal, relativas aos últimos cinco anos da sociedade e que também preste contas do contratos firmados após a saída do ex-sócio com os mesmos clientes que antes eram atendidos pela sociedade.Ele também pede que caso sejam constatadas diferenças na divisão de lucros com a apresentação da prestação de contas, que a Justiça a execute de imediato.A ação foi proposta no último dia 25 de setembro e foi distribuída à 7ª Vara Cível de Cuiabá. Ainda não há decisão no processo. OUTRO LADO - PAGINA DO ENOCK entrou em contato com advogado Rodrigo Cyrineu e aguarda sua manifestação, se desejar fazê-la.